Eu particularmente ouvi muito os 3 primeiros álbuns do Paramore (e ainda ouço). A voz da Hayley Williams (e o cabelo! *-*) tem um "je ne sais quoi" e as letras são realmente interessantes (se você souber inglês ou se der ao trabalho de procurar a tradução).
A MTV tem uma tradição de fazer shows acústicos, volta e meia, e esse show do Paramore pra mim foi um achado. Então, aproveitem a playlist!
Eu sei o que
vocês devem estar pensando: "depois de todas aquelas bandas estranhas por
que diabos o cara resolve falar de Capital Inicial"? Tem dois motivos
principais:
1 - É Nacional
2 - Tem coisa boa
por aí
Na ativa desde
1986, o som do Capital passou por algumas transformações nos primeiros anos e
desde então adquiriu uma forma de pop rock bem estável.
Boa parte das
letras do Capital Inicial tiveram um ou mais dedos de Renato Russo, finado
vocalista do Legião Urbana. Nas palavras do próprio Dinho Ouro Preto no CD/DVD
Ao Vivo da Banda para o Multishow, em 2008:
"Há muito
tempo atrás numa terra distante, havia uma banda chamada 'Aborto
Elétrico'" (...)
O "Aborto
Elétrico" tinha integrantes que mais tarde se dispersariam em duas bandas:
Legião Urbana e o próprio Capital Inicial. Parte das composições passaria a
cada um dos lados nesse "divórcio musical", além de algumas canções
terem interpretações comuns às duas bandas (como a clássica "Que País é
Esse?").
O caso é que é
muito comum ouvir, especialmente dos fãs do Legião, que (apesar da história
comum), o Capital Inicial é inferior ao que o Legião foi, se não musicalmente,
letristicamente. Esse é o ponto em que é preciso citar pelo menos 2 trabalhos
do Capital Inicial, sem os dedos de Renato Russo, que realmente valem à pena
pelas LETRAS: O álbum "Gig Ante" de 2004 e o atual "Das
Kapital" de 2010.
As composições
são da própria banda e letristicamente empregam um recurso muito similar ao que
o Engenheiros do Hawaii usavam nas suas canções: boas doses de filosofia, jogos
de palavras e referências a ditados populares e afins. De certa forma, algo
nesse sentido já havia aparecido no trabalho de 2002, "Rosas e Vinho
Tinto", mas acabou ofuscado pelo sucesso de "A Sua Maneira" (um
cover da música "De Música Ligera" da banda argentina Soda Estereo).
Em "Gig
Ante" temos destaque para "Instinto Selvagem" num grande
manifesto de "vamos chutar o pau da barraca", "Respirar
Você" com a melhor dica de todos os tempos pra esquecer uma dor de
cotovelo: "vou fingir que nunca te vi, vou viver sem ter onde ir, até
cansar de respirar você" (sério mesmo,funciona!), a sensacional "Não
Olhe Pra Trás" com sua jogada lógica e pitadas de filosofia faz você pensar
com frases como "se o que era errado ficou certo as coisas são como elas
são" e "inteligência ficou cega de tanta informação" só perde
(na minha opinião) pra "Insônia" (algo que eu já tive bastante) já
que essa canção específica não se parece em nada que o Capital te há feito até
hoje com um experimentalismo inusitado tanto na diferença instrumental quanto
vocal (mal dá pra reconhecer que seja o Capital Inicial nessa música).
Em "Das
Kapital", os jogos de lógica à
semelhança de "Não Olhe Pra Trás" continuam em "Vivendo e Aprendendo"
e "Como se Sente?" com frases que lembram muito as composições do
Engenheiros como "os dias são sempre iguais, o mesmo filme em todos os
canais" e "sempre presente o medo de falar na frente dos outros o que
ninguém quer escutar", além das tradicionais histórias de romance que toda
banda brazuca não abre mão como em "Depois da meia-noite" (passamos
muito tempo sentados na calçada falando e
não dizendo nada) e dilemas existenciais com uma pitada de romance em
"Melhor".
Depois dessa
matéria e de acompanhar um pouco mais do som e das letras do Capital Inicial eu
não posso afirmar nem que o som nem que as letras pioraram, de fato, o que me
parece é que a visibilidade da banda diminuiu. É comum que as pessoas que tanto falam do "auge" e da decadência do
rock nacional sejam as mesmas pessoas que não acompanham os trabalhos das boas
bandas ainda na ativa preferindo viver de passado. Apesar da era da internet o
público ainda é levado pelos ventos da mídia. As boas bandas nacionais
continuam boas, a mídia é que não liga muito pra elas.
Switchfoot é o
tipo de banda que dá orgulho divulgar. Apesar de ter uma
pegada Pop Rock eles fazem bem mais que isso. Eles escrevem letras que prestam
(afinal, letras sobre sexo, drogas e sobre o quanto rock and roll é
"legal" não nos tornam melhores que fãs de arrocha, pagode, sertanejo
universitário, funk ou coisa pior, se é que é possível que exista algo pior que
funk...).
Formada em 1996
em San Diego Califórnia, Switchfoot (graças a Deus) não é uma banda de Hardcore
californiano, pelo contrário, estão mais próximos em alguns momentos do Hard
Rock misturado ao Grunge (de alguma forma eles tornaram isso possível).
O que mais chama
atenção é quando você procura entender as influências musicais e letrísticas da
banda. Vide um trecho extraído da Wikipédia:
"É evidente nas
suas canções as alusões ao trabalho de filósofos como, Søren Kierkegaard e
Agostinho de Hipona, nas canções: "Sooner or Later (Soren's Song)" e
"Something More (Augustine's Confession)", respectivamente.
"Meant to Live", o sucesso do conjunto, foi inspirado pelo poema de
T. S. Eliot, "The Hollow Men", enquanto "Stars", o single
do álbum, Nothing is Sound, brevemente vê as coisas de uma perspectiva do
Descartes, de acordo com Jon. "Nós nunca nos encaixamos em nenhum tipo de
lista de gêneros de música", diz Jon na entrevista dada ao VH1 (rede de
TV). Jon acredita que a diversidade da banda é o forte deles. Eles acreditam
que extraem tanto do Police e James Taylor, quanto dos Beatles e Stevie Wonder.
Nós nunca cabemos em nenhum gênero de música. Compositores como Bono, Bob Dylan
e Johnny Cash inspiraram nas letras das canções de Jon. O Switchfoot também foi
objeto de inspiração para o livro "Sangue de Anjos", segundo seu
autor, Reed Arvin."
As letras são um
deleite para quem gosta de um bom livro de filosofia. Se a ideia era fazer o
ouvinte pensar, funcionou comigo. A propósito, Switchfoot é uma banda cristã.
Alex Band é o
ex-vocalista da banda americana The Calling. Os caras estouraram no fim dos
anos 2000 com uma canção de nome "Wherever You Will Go" e são o que
gosto de chamar despojadamente de "alguns hit wonder". A marca
registrada em seu trabalho era justamente a voz firme de barítono de Alex (um
diferencial já que a maioria dos cantores no mainstream são tenores) e o fato de
usarem poucos acordes em melodias simples e populares.
A banda durou
apenas 2 álbuns de estúdio: "Camino Palmero" de 2001 e
"Two", lançado em 2004 e apesar de ser uma banda de pop rock,
compuseram algumas pérolas esquecidas pelo mainstream como "Somebody Out
There" - uma canção sobre o sofrimento humano e como lidamos com ele,
sendo que a canção começa com o que parece ser a descrição de um abuso, uma
letra densa e melodia sombria, além de canções como "Unstoppable" e "The Truth" (me corrija quem interpretou diferente, mas me parece ser
sobre forças invisíveis tentando controlar as vidas humanas, uma visão bem
próxima do conceito de "Grande Conflito" usado por autores cristãos
como Ellen G. White) e "Lost", bem diferentes da levada comum da
banda, apesar de ainda se notar os traços de simplicidade comuns ao The
Calling.
O caso é que, com o fim da banda, seu ex-vocal Alex Band entra em carreira solo que conta com 2 EPs e um disco solo chamado "We've All Been There" lançado em 2010.
O que torna os novos trabalhos de Alex Band interessantes é sem dúvida o amadurecimento de suas letras. Assim como no caso do brasileiro Jay Vaquer, o que falta em experimentalismo musical sobra em qualidade letrística:
"Please" se aborda o aspecto religioso da vida humana e qual seria seu significado;
"Fame" é uma canção que fala do quanto o estrelismo corrompe o caráter;
"What Is Love" é uma interrogação sincera sobre que droga está acontecendo com as pessoas que têm se tornado cada vez mais frias e insensíveis, sem amor uns pelos outros;
"Cruel One" é a resposta para essa pergunta vinda de um cara que passou por 2 divórcios, mesmo tendo ficado ao lado da 2.ª mulher enquanto ela passava pelo câncer (o amor é descrito como a força mais cruel de todas... não está tão longe da verdade).
Melodicamente
falando, duas canções de seu último EP merecem destaque, talvez não unicamente,
mas principalmente, pelo desempenho vocal de Alex: "It Doesn't Get Better
Than This" e "Take Me Back". Nem só de "Wherever You Will Go" viveu The Calling... Ah, todas as músicas citadas estão na playlist acima. Confira abaixo um trechinho de "Take Me Back". Enjoy!