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sábado, 17 de agosto de 2013

O mestre SUPREMO do violão



Não raras vezes tive surpresas com performances inusitas de violonistas no youtube, desde africanos tocando de formas impensáveis até verdadeiros homens-banda, como Andy Mckee, o jovem prodígio Sungha Jung, ou mesmo Miyavi que tem o hábito de tocar slap, que é uma técnica de baixistas experientes, no violão. Pra economizar postagens, tá tudo em hyperlink, mas o prodígio de hoje é o mestre do violão Jon Gomm com a performance de Passion Flower, em que, sozinho, simula distorção de guitarra, muda a afinação das cordas enquanto toca, faz a percussão e canta ao mesmo tempo uma canção que é de composição própria dele mesmo! Yngwie Malmsteen que me perdoe, mas pra mim o conjunto da obra de Jon Gomm superou todos os anteriores.

Just keep Chucking Norris!

sábado, 11 de maio de 2013

Tourniquet



Esta é uma das principais bandas de Thrash Metal cristão da história. Tourniquet está na ativa desde 1990. Formada na cidade de Los Angeles (EUA),  tem influências  muito incomuns para uma banda de Thrash Metal: música clássica! De certa forma, Tourniquet apresenta um estilo progressivo de fazer metal, não fosse o fato que o thrash é um gênero de metal extremo.

Musicalmente falando, se você assistir o documentário Headbanger's Journey é feito um paralelo entre a ESTRUTURA do metal e da música clássica. O fato é que, distorções à parte, o heavy metal de qualidade e a música clássica são muito similares e virtuosistas.

Nas palavras da wikipédia:

"A banda faz uma mistura de thrash metal, speed metal, metal progressivo, heavy metal, hard rock, hardcore, influênciados por compositores clássicos, como por exemplo, Beethoven e Bach, espiritualidade com perspectiva bíblica, recheadas por inspirações de jargões médicos, de Edgar Allan Poe e narrativas do velho testamento."

A banda passou por várias formações das quais o único membro permanente, principal compositor e, me permitam dizer, "alma da banda", é o BATERISTA sr. Ted Kirkpatrick. Em termos vocais, houve duas eras: a era speed/thrash com Guy Ritter (que se tornou vocalista do Echo Hollow, banda cristã de hard rock hoje inativa) e a era Luke Easter, que começou muito semelhante ao Anthrax na época que John Bush era o vocalista, mas se tornou algo além. O atual guitarrista, Aaron Guerra, é outro capítulo à parte: extremamente competente! 


Entre tantos álbuns INCRÍVEIS (é uma das minhas bandas favoritas) escolhi destacar dois dentre os que considero os melhores álbuns da história do metal:

*Pathogenic Ocular Dissonance, de1992. Trata-se de álbum thrash com influências bizarras de doom  e death metal, combinações  sombrias de vocais graves muito graves e agudos muito agudos. É incrível como havia versatilidade nos vocais de Guy nessa fase.  Destaque para as faixas "Spectrophobic Dementia", "Exoskeletons",  "Theodicy On Trial, "En Hakkore" e a épica "The Skeezix Dilemma".

*Microscopic View of a Telescopic Realm, de 2000. Esse é outro álbum histórico com muita influência clássica, uso de órgão, flautas, pancadaria hardcore, solos de bateria, assobios e até influências de canto gregoriano, uma miscelânia que teve um resultado maravilhoso com excelentes canções como "Besprinkled In Scarlet Horror" (clique e confira a letra),"Drinking From The Poisoned Well",  "The Tomb Of Gilgamesh", "Erratic Palpitations Of The Human Spirit" e a continuação da história iniciada em Skeezix Dilemma em "The Skeezix Dilemma, Part II: The Improbable Testimony Of Pipsewah", igualmente épico!

É nesse ponto que eu faço uma reflexão: chega a ser clichê o quanto algumas das bandas de rock e heavy metal mais conhecidas tem letras e clipes de mau gosto e insistem nisso! O desgosto com esse fato me motivou ainda mais a mostrar o diferencial não só do que o Tourniquet tocava e toca, mas do que eles ESCREVEM. Aqui abaixo reservei o espaço para o clipe legendado em português da canção "Ark of Suffering", um épico do álbum Stop The Bleeding:


Sobre as bandas de metal que acham que glorificar a violência,  sexo ou rituais esquisitos, deixo as palavras de Bill Watterson na pessoa de seus personagens mais marcantes Calvin e Haroldo:



Se você também cansou dessa merda, Tourniquet é pra você!

Discografia e História da Banda: Wikipédia

Just keep rocking! \m/




quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Gallows




Todo mundo tem uma noção do que seja algo "punk": roupas rasgadas, cabelo moicano, piercings, tatuagens e um som cru característico em que músicas de 3 acordes são executadas rapidamente, com muito barulho de bateria. Pelo menos era assim.

O punk teve uma de suas cenas mais importantes na Inglaterra da década de 1970, mas ao chegar nós EUA na década de 80 passou a ser mais rápido e agressivo, passando a ser denominado hardcore, um som característico um tanto mais percursivo e complexo. Bandas de hardcore como, por exemplo, Living Sacrifice tem muito a ver até com a cena metal. Então surge algo chamado crossover: uma fusão entre o heavy metal e o hardcore.
 
O nome "punk" não poderia ser mais apropriado, geralmente apresentando uma proposta social anarquista (mal interpretada, diga-se de passagem. Quem quiser saber o que realmente é anarquista tem que ler Errico Malatesta), a palavra "punk" significa "encrenqueiro". E os "encrenqueiros" do Gallows não poderiam ter surgido de um país mais apropriado: trata-se de uma banda britânica, assim como os pioneiros do punk: Sex Pistols, apesar que o Pistols tinha um caráter mais bem humorado nas letras.

Nas idas de 2000 o hardcore e o punk se tornaram um tanto manjados, algo comercial até, por meio de bandas internacionais como Blink 182, Green Day e nacionais como CPM 22, Detonautas e outros. Acho que foi por isso que tive uma surpresa extrema ao descobrir Gallows!

O som tem uma alma punk característica no vocal rasgado e gritado de Frank Carter, como num protesto de rua, mas com muita influência de metal sendo praticamente uma versão alternativa ou simplificada do heavy metal sem perder o cuidado com a atmosfera do som nem com os solos de guitarra. As mudanças de tempo nas canções, o cuidado com a distorção mostram que a proposta da banda é totalmente nova: soa mais limpo do que o hardcore comum e que o crossover, mas sem perder nada em peso, o que por si torna o estilo de Gallows algo como um new punk com super força e laser saindo dos olhos!

Só tem um pequeno probleminha: quem entende um pouquinho de inglês vai ter a impressão que Frank Carter tem "síndrome de tourete" já que a palavra "fuck" e derivados costuma aparecer MUITO e até fora de contexto nas letras (excetuando, obviamente, a história de John Casanova, cantada em "Orchestra Of Wolves", por razões óbvias pra quem conhece a história desse sujeito). Enfim, ossos do ofício no punk talvez... O triste é que, apesar do som ser vibrante, as letras quase sempre falam dos horrores da guerra, pobreza, sofrimento e descaso com o humano. Mesmo sendo uma banda punk, as canções destoam das letras. O som do Gallows é o tipo de coisa que você ouve num dia feliz ou pra recuperar o ânimo, os temas geralmente não batem com a melodia, como se um dissesse o oposto do outro, exceto talvez em "Staring At The Rude Bois", um cover do The Rutz' que o Gallows interpreta com participação especial do rapper Lethal Bizzle.

A discografia essencial da banda é pequena, já que entraram em atividade no ano de 2005 ainda tendo rendido 3 álbuns e 2 EPs, com direito a alguns singles onde consta até um cover do Ironmaiden que saiu melhor que a encomenda e que, particulamente, gosto mais que o original: Wrathchild. Desses, o último álbum e o último EP já não contavam com Frank Carter nos vocais, que saiu da banda por diferenças de opinião sobre qual direção o som deveria trilhar.

E por falar em som, quando comparamos, por exemplo, o primeiro álbum, "Orchestra Of Wolves", de 2006, com o segundo "Grey Britain" de 2009, a direção do som do Gallows muda ao passar a incorporar elementos eruditos (WTF?!) no som com muita prudência. De fato, mesmo no "Orchestra Of Wolves" já havia uma música punk com piano e vocais limpos ao fim: "Rolling with the Punches", dando a direção para o próximo trabalho da banda. Grey Britain uniu punk e erudito numa harmonia perfeita, apesar do antagonismo, tornando Gallows algo totalmente novo uma segunda vez. Destaques para "Queensberry Rules", "Crucifucks", "The Vulture (Acts I & II)" e "Misery". 

Gosto bastante da interpretação intensa de Frank Carter e preferia que tivesse permanecido na banda. Não me senti à vontade para acompanhar a banda desde então. Mas pra quem tiver curioso, fica a dica.


Discografia (com Frank Carter):

Álbuns de Estúdio:
2006 - Orchestra Of Wolves
2009 - Grey Britain

EPs:
2007 - November Coming Fire

Fonte: Wikipédia


Just keep rocking \m/

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Ashton Nyte


Não dá pra falar de Ashton Nyte sem mencionar sua carreira no The Awakening, banda gótica e cristã da África do Sul com um vocal grave pra danar (sim, você acabou de ler isso). 

Apesar do extremo peso e sombriedade gótica nas canções, os trabalhos solo do cantor são diferentes do The Awakening.

Por exemplo: The Slender Nudes, de 2000, flerta com o eletrônico, mas fortemente influenciado por David Bowie.

*Dirt Sense, de 2002 é mais minimalista e difícil de se enquadrar em qualquer estilo existente, lembrando a sonoridade de "Cover" e "The Other Garden" do The Awakening, mas com canções que dariam a direção do álbum seguinte com uma marcação típica do trip-hop na faixa "Automation" e em "New Messiah Of The Week" (uma das letras mais incríveis que já ouvi dentro do tema do próprio título).

*Sinister Swing, de 2003 é alguma coisa entre o jazz e o trip-hop mas com forte influência gótica. As canções soam bastante "escuras".

*Headspace (2005) - Mudando totalmente de rumo, o álbum é puro rock and roll/noise rock. Outra vez, uma das canções dava a direção que seria seguida no álbum seguinte: "Like Jimmy Dean", um claro caso de flerte do cantor com western music. 

*The Valley (2009 South Africa, 2010 USA) - Último álbum lançado, tem uma sobriedade típica de um álbum que seria a trilha sonora perfeita de um filme de faroeste protagonizado pelo vilão. Mas é apenas pela densidade do som da voz de Ashton (de qualquer modo continuo achando o falsete dele horrível, por exemplo, na canção que dá nome ao álbum). "Medicine", uma das canções do álbum tem uma letra cristã da melhor qualidade. 

Fica abaixo uma playlist com as minhas canções preferidas do Ashton Nyte em carreira solo e algumas apresentações ao vivo do the Awakening de bônus:


Extremamente criativo, com excelentes letras. Se eu fosse você esperaria mais lançamentos estranhos desse senhor saído de Johannesburg. 


Just keep rocking! \m/

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Panic At The Disco


Lembram que eu mencionei certa feita que nem toda banda que atualmente está ruim necessariamente era ruim no começo, mas pode ter feito coisas interessantes no passado? Pois bem, agora imagine que uma dessas bandas resolva retornar às origens? Boa notícia não?

Esse é o caso do Panic At The Disco. A banda estreou em 2005 com o incrível álbum "A Fever You Can't Sweat Out" mesclando uma dezena de elementos inexplicáveis pra uma banda que começou a carreira fazendo cover do finado Blink 182 (pra lá de previsível musicalmente). Panic incorporava instrumentos de música erudita barroca, indie, elementos circenses, música eletrônica (dance, pra ser mais exato) e dark cabaret. Sendo que a primeira parte do álbum era totalmente dance/eletrônica enquanto que a segunda parte era totalmente vintage. Pra lá de original!

Outro aspecto pra lá de original eram as letras como Camisado que conta a luta do pai de Brendon Urie contra o alcoolismo, "Lying Is the Most Fun a Girl Can Have Without Taking Her Clothes Off" e "But It's Better If You Do": duas canções retiradas diretamente do roteiro do filme "Closer: Perto Demais" (recomendo o filme), "I Constantly Thank God For Esteban", canção que trata diretamente de como o culto religioso em muitas tem se tornado uma espécie de "show" onde a mensagem da fé em si tem pouca importância, além de "I Write Sins Not Tragedies" com um emblemático clipe que faz qualquer homem pensar duas vezes antes de casar com uma mina com histórico de infidelidade. Os clipes feitos pela banda para promover as canções do primeiro disco eram outro capítulo à parte, extremamente teatralizados.

O caso é que, depois de arrebanhar fãs mundo a fora, num acesso de criatividade (ou de falta dela, nunca saberemos) a banda mudou totalmente a fórmula e lançou o dolorosamente pop "Pretty Odd" em 2008, o que acerretou a perda do "!" no nome da banda, que passou de "Panic! At The Disco" para "Panic At The Disco". O novo trabalho foi uma decepção pra quem esperava algo na mesma linha do 1.ª álbum. A banda havia se tornado mais uma entre tantas bandas de pop suave sem nenhum diferencial criativo além de uma ou outra letras bonitinhas. Se você ouviu esse álbum e teve a impressão que era de música infantil, foi exatamente essa a impressão que tive ao ouvir "Pretty Odd".

Porém, ainda havia esperança de redenção, contando agora apenas com 2 de seus membros fundadores, o Panic se arrependeu de seus pecados e lançou "Vices & Virtues" em 2011. Fui ouvir mais por curiosidade que por esperança de que tivessem feito algo bom e que surpresa ao notar que, embora não fosse como o 1.ª álbum, havia algo de retorno às raízes! O som novamente empregada elementos alternativos mesclados do Indie, do lado eletrônico do Dark Wave e alguma sonoridade barroca dentro do contexto do pop contemporâneo como se tivessem harmonizado os dois primeiros trabalhos numa síntese bem coerente nesse 3.º álbum. Fiquei satisfeito ao ouvir e pensei: por que não criar uma linha do tempo no Billy To Indie que permitisse aos curiosos, decepcionados ou entusiastas do Panic comparar os 3 trabalhos? E assim, aqui estamos nós! Confiram:


Fonte: Wikipédia

Just keep rocking! \m/

Billy Idol

Billy Idol não envelhece!   

Engraçado a extinta MTV (extinta pra mim que tenho antena parabólica, aliás, não me faz falta) certa feita fez um Top Top com os 10 maiores fiascos da música e entre eles estava Billy Idol em uma posição qualquer por causa do fracasso comercial do álbum Cyberpunk. Mas, porém, entretanto, todavia, mais uma vez a MTV fez uma propaganda enganosa do trabalho de um cara realmente criativo por conta de um incidente isolado. Me dei ao trabalho de fuçar a discografia básica de Billy Idol e descobri que gostava desde pequeno de uma série de canções dele que não sabia quem tocava, entre elas temos "Eyes Without A Face", "Rebell Bell", "Sweet Sixteen" (é uma história bem triste, uma letra a se conferir), "White Wedding", "Flesh For Fantasy" e, é claro, "DANCING WITH MYSELF"!
 


 
Depois dessa descoberta creio que resta uma lição para todos nós: nunca confie na MTV! Mesmo com mais de 30 anos de carreira, este cinquentão ainda se esbarrou pelo hardcore (World Comin' Down), Americana/Western music (John Wayne) e até pelo Heavy Metal melódico (New Future Weapon). De fato, Billy Idol sempre foi um Punk com um pé no Hard Rock desde o início de carreira, o que torna seu som realmente bem interessante.
Ouçam por vocês mesmos e tirem suas conclusões na nossa pequena seleção do Billy Idol e alguns covers dignos de nota de bandas influenciadas por ele (não se preocupem, o Supla não entrou na lista! Kkk).


Just keep rocking! \m/

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

My Chemical Romance



Vamos falar de My Chemical Romance?! O.o
Sim! Vamos! Que que tem?

Acontece que bandas nem sempre começam uma bosta. Eu poderia articular em defesa do 3 Cheers For Sweet Revenge, mas esse álbum vendeu muito bem e teve boas críticas, mesmo sendo rotulado como "emo".

Vamos primeiro a algumas informações sociológicas: bandas não formam tribos urbanas, fãs formam ao tentar incorporar ideologias que acham convenientes a um tipo de roupa e atitude que copiam de uma banda que gostam. Por isso você vê bandas como o finado UnderOath que não queria ser taxado como "banda de crente", o Sisters of Mercy que nunca se identificou como gótico e, finalmente o My Chemical Romance, que sempre negou ser essa coisa que chamam de "emo".

O álbum que eu escolhi para comentar é justamente o primeiro da carreira dos caras. Há algo especial no primeiro álbum de uma banda: o esforço para criar uma identidade, o experimentalismo, a força do som, o amadorismo, e a saudade que vem ao olhar pro passado e perceber o que os caras queriam/podiam ter sido, o que nem sempre as gravadoras permitem, ou mesmo brigas entre os integrantes buscando tocar algo dentro de um "consenso da banda" (é camaradas, isso existe, a culpa nem sempre é das gravadoras, só quem já tentou tocar em banda sabe... durma com essa hoje).

O primeiro álbum do My Chemical Romance é tudo, menos emo. Há sim uma influência da "pegada" Hardcore, mas também tem muito (sim) METAL no cd, distorção, velocidade e noise!

Não há diferença estilística real entre o primeiro álbum do My Chemical Romance e os 2 primeiros álbuns da banda de Metalcore/Death Melódico Still Remains. De fato, cheguei a confundir "Honey, This Mirror isn't Big Enough" com Still Remains numa playlist antes da voz do Gerard Way sair! "Our Lady Of Sorrows" é porradaria pura, "Drowning Lessons" é contagiante, apesar do resto do cd ser mais leve ainda há muito flerte com riffs típicos de Metal mesmo... Nessa mesma época a banda lançou um cover hilário de Mariah Carey da música "All I Want For Christmas Is You", e a atitude nessa interpretação lembra a irreverência do Sex Pistols pois a canção é interpretada como se a banda estivesse tendo um ataque cardíaco coletivo ao tentar tocar a canção e correr a "Maratona de São Silvestre" ao mesmo tempo (sério, é uma das coisas mais hilárias que ouvi desde Graforréia Xilarmônica!) além de um cover em conjunto com o The Used interpretando "Under Pressure" (que no original era David Bowie e Queen). O álbum é tão espontâneo e amador (no bom sentido da palavra) que parece um show ao vivo de banda de garagem. Rockeiro desde pequeno que sou, chamar algo assim de ruim seria pecado. Se fosse pra nomear o estilo eu nomearia como "Punk Metal"... qualitativamente essa formação do My Chemical tocava melhor que os caras do Protest The Hero (que eu também conheci o trabalho desde antes do Kezia quando a banda apenas sonhava aprender a tocar hardcore).

Concordo que depois de "The Black Parede" o My Chemical Romance ficou cada vez mais pop e o som se tornou comum demais sabe lá Deus porque motivos, o que é uma pena, mas não dá pra dizer que eles não começaram direito, porque isso seria artisticamente desonesto e mentiroso.

"I Brought You My Bullets, You Brought Me Your Love" é um dos meus cds pra salvar do incêndio.


Just keep rocking! \m/ 

Dark Angel (Time Does Not Heal)



Não se assustem com o nome os religiosos e de estômago fraco. Lembram do Oil? Lembram que o vocalista do Dark Angel se converteu ao Cristianismo? Bom, eu não vejo com maus olhos a banda anterior do cara por uma série de motivos:

1 - As letras eram sim chocantes, mas por ser de cunho psicológico e não, como alguns poderiam julgar, "satânicas";

2 - Eu até concordo que o nome da banda é um pouco forte (Dark Angel em inglês quer dizer literalmente "anjo das trevas"), mas NESSE CASO não quer dizer nada, era só o nome de uma banda pesada, gostemos ou não, isso é comum no Heavy Metal;

3 - Não confie nas listas de músicas atribuídas à banda em sites como Vagalume ou Letras.Mus (antigo Letras.terra), a maioria do que vocês vão ver lá não é do Dark Angel (de fato, isso é fácil notar porque tem até letras em português atribuídas à banda, coisa que nunca fizeram). Como Dark Angel é uma banda de Thrash Metal ofuscada pelo chamado Big 4 (Megadeth, Metallica, Slayer e Anthrax) não tem muitos fãs pra reivindicar correções nesses sites (ah, a tal SANCTUS SATANAS que vocês verão erroneamente associada à banda é, na verdade de uma tal Svartsyn - banda de metal satânico da Suécia que não tem nada a ver com o Dark Angel);

4 - As letras eram realmente muito boas, na verdade elas parecem mais denunciar que fazer apologia às situações que expressa, observem por exemplo, a letra de "Psychosexuality":


Uma sombra, Eu vagueio nessas ruas decadentes,
Perversão degrada meus companheiros.
Um observador, eu estou entre os fracos inocentes,
Minhas fascinações são lascivas e impuras,
Esse submundo de sensualidade é minha existência
Eu não caminho sozinho, essa é minha casa,
E minha subsistência.

Eu silenciosamente me movo através desses caminhos escurecidos,
Eu sou uma testemunha da psique humana em decadência.
Não há nada aqui além de corpos e almas queimadas,
Um solo produtivo para o depravado.
Eu me enterrei além das mais doentias profundezas da lascividade,
O que é normal pra mim é bem mais além do que é visto como
Mera "obscenidade".

Você pode sentir a dor
Dessas almas dementes?
Você pode sentir a dor
Eu vivi dentro
Dessas mentes patéticas
E elas são ameaçadoras
Psicose
E luxúria é
Tão perigoso
Sexualidade
Na sua mais doentia forma
Escravizou-nos...

Eu gostaria de poder te dar detalhes exatos,
Mas agora não é nem a hora nem o local.
Eu residi temporariamente dentro das mais vis zonas de combate,
E me envolvi em atos que são humilhantes.
Vidas virtuosas foram esmagadas nesse covil malevolente de ladrões,
Não há escapatória para a abdução e para o estupro da virgindade.

Pesadelos teatrais de uma auto-indulgência brutal,
Nada é sagrado, especialmente a vida.
Eu divido completamente minha amoralidade,
Com as prostitutas e garotos de programas que espreitam à noite.
Chocante, demonstrações repugnantes das indignidades humanas,
Qualquer coisa pode ser alcançada nas iniqüidades sexuais.

Você pode sentir a dor
Dessas almas dementes?
Você pode sentir a dor
Eu vivi dentro
Dessas mentes patéticas
E elas são ameaçadoras
Psicose
E luxúria é
Tão perigoso
Sexualidade
Na sua mais doentia forma
Escravizou-nos...

Eu fui seduzido para dentro desse reino,
Por quê? Eu não posso dizer...
Eu me limpei de tudo que é puro,
Eu causei desgraça a mim mesmo.
Eu não posso manusear com a atração,
Eu não sou uma anomalia.
No meu domínio de abominação,
Psicossexualidade...

Eu tenho uma obsessão pessoal com a dor,
Distribuindo-a, recebendo-a, para mim é o mesmo,
É um jogo trágico
Martírio que segue irrefreável,
Para os outros esse prazer pode ser insano,
Ou no mínimo profano

Virgens forçadas a executar atos inenarráveis
Juventude imaculada posta na impureza
Os gritos de dor, Eu ouvi esses clamores
De saída calma, mas entrada forçada.
Almas desesperadas por uma harmonia,
Com suas vidas nesse mundo sórdido.

Mulheres poluídas por aquela injeção de heroína na veia adormecida,
Bestialidade, isso é doente.
Orifícios causando nojo,
Investidas grotescas dentro de cobiças macabras.
Por que estou aqui? Eu fui atraído,
Eu pertenço a esse mundo desavergonhado...

Você pode sentir a dor
Dessas almas dementes?
Você pode sentir a dor
Eu vivi dentro
Dessas mentes patéticas
E elas são ameaçadoras
Psicose
E luxúria é
Tão perigoso
Sexualidade
Na sua mais doentia forma
Escravizou-nos...

Homens que arrancam crianças de suas famílias,
Ensinando as "regras" do homem para essa geração mais jovem.
Para o mercado-negro, pais vendem seus jovens com menos de oito anos,
Qualquer idade maior aqui é muito tardia,
Adolescência, seus destinos...

Destroem membranas com suas cuidadosas mutilações,
Viciados anônimos e confusos, vítimas que recusam.
Profanando corpos e mentes imaculados,
Quebrando e torturando, e então acabando com suas vidas,
Eu os assisti morrer...

A você foi dado um vislumbre dessa cena pornográfica,
Algo disso me assusta tudo disso me excita.
Esse é meu horrível, louco inferno,
Uma vez que esteja aprisionado aqui em baixo eu te desejo tudo de bom.
Por que estou aqui? Eu fui atraído...
Mas honestamente, eu pertenço a aqui?

Você pode sentir a dor
Dessas almas dementes?
Você pode sentir a dor
Eu vivi dentro
Dessas mentes patéticas
E elas são ameaçadoras
Psicose
E luxúria é
Tão perigoso
Sexualidade
Na sua mais doentia forma
Escravizou-nos...


Letra forte, porém, nada mais que a verdade. Muitos psicólogos falam de exageros sexuais modernos e de fato, há um livro muito interessante de um autor chamado Burgo Partridge chamado "História das Orgias" onde se relata boa parte da história sexual humana e parece que um dos indicativos mais óbvios de que uma sociedade entrará em breve em colapso social é a imoralidade sexual. Não me entendam mau e nem ao autor, nenhum de nós diria que a sexualidade desenfreada é a causa do colapso, apenas o último estágio, foi assim com Babilônia, Grécia, Roma, entre tantas outras e não há motivo histórico pra pensar que seria diferente conosco.

Voltando à banda, estilisticamente falando, enquanto que o Oil solta rojões de ira e tem um som mais cru, mais sujo e lento, Dark Angel é... dançante! Sim, eu sei que é uma banda de Thrash, mas a velocidade dá SIM vontade de dançar, mesmo com o vocal estranho e a melodia incomum que marcam o que é inegavelmente uma banda de Thrash Metal, mas não sombria como Megadeth, apenas... estranha e com ótimas letras.

Ainda não tive contato com toda a discografia para ouvir, mas chequei as letras reais da banda e praticamente todas, principalmente do citado álbum "Time Does Not Heal" (que eu ouvi completo), são altamente psicológicas, sérias e interessantes.
Experimentem por vocês mesmos.

DISCOGRAFIA:

1983 - Gonna Burn; 
Demo II
1984 - Live Demo; We Have Arrived
1985 - Live Demo From Berkeley
1986 - Darkness Descends
1989 - Leave Scars
1990 - Live Scars
1991 - Time Does Not Heal
1992 - Atrocity Exhibition; The Best of Dark Angel: Decade of Chaos


Fonte: Wikipédia
Spin Off: Oil 


Just keep rocking! \m/

Silverchair



Silverchair "do mal"

Silverchair começou no final dos anos 90 com o bom e velho grunge e, com o passar do tempo, adquiriu letras encorpadas, psicológicas e densas, com harmonias audaciosas e muitas vezes fortemente impactantes ou depressivas.

É do conhecimento geral de quem acompanhou a banda no auge (porque algumas de suas canções tocaram muito, como "Miss You Love" e "Ana's Song" que virou um hino contra a anorexia) que as letras soturnas acompanharam um período em que o vocalista Daniel Johns lutava contra uma anorexia nervosa e uma depressão que quase o levaram à morte... Superada essa parte complicada, a música da banda mudou (Johns era o principal compositor, além de guitarrista, pianista e vocalista da banda). Era de se esperar, afinal o artista é a obra e vice-versa. Mas o som perdeu aquela veracidade, aquela intensidade e, a meu ver, a genialidade dos anos escuros.

O mais engraçado (ou não) de tudo é que, após se recuperar da anorexia e da depresão a esposa de Daniel Johns, a também cantora Nathalie Imbruglia, o deixou e, quando você aguarda um retorno sombrio e cheio de ódio o Silverchair surge com o ultra-fofinho "Young Modern" e você ouve e pensa: "que p*&%a é essa?!" Onde está o Silverchair de "Freak Show" com letras como as de "Abuse Me", "Cemetery" ou a ira de "Learn To Hate" (a eterna melhor de todas pra mim), ou o Silverchair de "Neon Balroom" com épicos como "Emotional Sickness" e "Black Tangled Heart"?

Mas o caso talvez seja mais complicado do que parece... É como diz aquela letra do Marillion "We don't have to live in a world  Where we give bad names to beautiful things". As músicas do "Young Modern" são bonitas até, mas não agradaram muita gente, incluso eu. O que dá uma certa culpa ao pensar que provavelmente foram compostas na fase feliz do autor, a fase curada. Faz você pensar um pouco sobre as pessoas que somos e como muitas vezes somos mesquinhos com a arte das pessoas ou quando nossos ícones resolvem mudar por decisão ou acabam mudando de pouquinho na vida até perceber que não são mais quem eram antes. Como diria Humberto Gessinger: "Só a mudança é permanente". 

Silverchair "do bem"

Ao contrário da teoria da evolução, Silverchair tem um elo perdido... Ou achado: Diorama. Foi nesse álbum que a banda conseguiu fundir o que era antes ao que iria se tornar sem fazer feio! Melodias complexas, algumas pesadas com um que soturno como "One Way Mule", algo de quase doentio no som de "Too Much of Not Enough", uma balada fofinha em "Luv Your Life", flertes com o clássico (com piano e tudo) em "After All These Years" e "Across The Night", a depra batendo na sua porta em "My Favourite Thing" e por aí vai...

Enfim... Daniel Johns acabou fundando o The Dissociatives, outra banda na linha do "Young Modern" e está na ativa desde então, enquanto o silverchair parece ter se aposentado pra sempre. Seja feliz, Daniel!

Álbuns de estúdio:
1995 - Frogstomp
1997 - Freak Show
1999 - Neon Ballroom
2002 - Diorama
2007 - Young Modern

Álbuns ao vivo:
2003 - Live from Faraway Stables

Compilações:
2000 - The Best Of Vol.1
2000 - Rarities 1994 - 1999

EP:
1994 - Tomorrow EP

Fonte: Wikipédia

Just keep rocking! \m/ 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Dinosaur Jr.

Dinosaur Jr. foi uma das bandas que acabei descobrindo enquanto jogava Rock Band. A canção era leve (I feel the pain) e bastante melancólica, mas o solo ao final da música era muito bem trabalhado, além de que, havia algo de curioso na voz do vocalista. Pesquisei rapidamente na wikipédia (por mais que falem mal da "enciclopédia livre" as informações disponíveis sobre bandas é bastante impressionante) e descobri o seguinte:



"Dinosaur Jr. é considerado um rock alternativo banda, no entanto banda musical do estilo, em comparação com seus contemporâneos underground na década de 1980, diferente de várias maneiras. Isto incluiu a influência do rock clássico de banda a música, o uso de feedback, volume extremo e silencioso dinâmica forte, e 'Mascis droning vocals frontman. (...)

(...) Dinosaur Jr membros também combinava elementos de hardcore punk e noise rock em suas canções, que muitas vezes apresentava uma grande quantidade de feedback, distorção e volume extremo. Quando a fita master do que você está vivendo All Over Me chegou a SST, a do gerente de produção rótulo observado o nível em que a fita foi tão grande que estava distorcendo, no entanto, Mascis confirmou que era o jeito que ele queria que o álbum de som. Para acentuar a sua utilização de volume, a banda utilizada e popularizou o silêncio-loud mudança de dinâmica em muitas de suas canções, uma técnica que viria a ser popularizado por Pixies, Nirvana e rock alternativo em geral durante a década de 1990."


A guitarra é extremamente expressiva e combinada com o vocal de acabaram por criar uma das bandas de rock alternativo que se tornou uma das minhas favoritas desde minha descoberta ano passado.


Não é uma banda com estilo fácil de se definir, então é melhor que vocês ouça por si mesmos.

Para ver a discografia (grande pra danar!), dá um pulinho na Wikipédia.

Just keep rocking! \m/ 

Inversion

 

Banda de Death Metal é tudo igual... Distorção crua, baixo, bateria, muita pancada e um vocal urrado definido como gutural que sai sempre igual fazendo a mesma droga de nota independente se você é a gracinha da Angela Gossow (vocal do Arch Enemy) ou o próprio cão dos infernos fazendo gargarejo, certo? Bom... Há controvérsias.

Pra começar, depois de um tempo ouvindo Death Metal a gente começa a perceber alguma melodia no meio daquele pandemônio. Quando se ouve bandas de Death diferentes a gente nota que existem variações vocais tão características quanto os próprios timbre cantados.

Como a diferença é sutil e você tem que ser muito troll ou ter ouvido absoluto (ou os dois) pra perceber a gente acaba ouvindo críticas ao estilo como as que citei.

O engraçado é que há sim bandas de death tradicionais (já que o chamado "Death Melódico" é um outro estilo) que soam diferente do geral e qualquer um pode perceber. Um dos (poucos) exemplos que foge à regra é o Inversion.

É provável que você nunca tenha ouvido falar deles, afinal, os caras resolveram tocar nos tempos de faculdade como hobby e não com aspirações a fama. A curta carreira rendeu 2 cds: o EP de estréia chamado "Tarsus Burning" de 1999 e um épico álbum de nome "The Nature of Depravity", lançado em 2001.

Os guturais são "macios" comparado às bandas de Death Metal comuns, a guitarra é impecável e 5 canções da banda chamam a atenção para seu experimentalismo dentro do Death Meta, você pode ouvir TODAS na playlist acima pelo YouTube:

1. Thieves - uma canção sobre o arrependimento de Dimas (um dos ladrões crucificados com Cristo) que é praticamente um death acústico cantado em dueto pelo vocalista (guturais) e pelo guitarrista do Inversion embalados por um acompanhamento de violão perfeito;

2. Defilement - Death Metal veloz ao melhor estilo "porrada" com muito destaque de baixo e bateria;

3. Independency - Um dueto com participação do vocalista da banda australiana de Doom Metal "Paramaecium" (resenha em breve) com direito a alguns floreios de piano ao fundo;

4. Stillborn Piety - Um Death com ares de música medievalista soturno com piano de fundo e uma finalização bastante estranha e original aos ouvidos;

5. Upheld - Mais experimentalismo! A canção se inicia com um solo de violão com uma bela introdução cantada, torna-se um Death Metal lento (sim, isso existe), denso e escuro para seguir com um intercurso mórbido, retomar o peso original e termina com a mesma melodia de início, dando um tom de melancolia ao final.


Não é que outras bandas de Death Metal não usem algum experimentalismo HOJE, mas no final dos anos 90 e início dos anos 2000, uma banda desse gênero se aventurar com flertes com piano, música medievalista, doom e acústicos, usando trechos cantados e um gutural que não soa "rasgado" era uma experiência única e muito do que hoje é chamado "Death Melódico" soa próximo demais do Metalcore, que caiu no gosto de muitos headbangers e, de certa forma, saturou o metal, deixando a sonoridade limitada a variações dentro do próprio estilo.

Em tempos de estilos iguais, Inversion era e continua sendo diferente, ora soando como um terremoto veloz, ora como um doom/death, e intercursos vocais cantados que, apesar de sombrios, não lembram nem os vocais graves do doom e do black metal nórdico nem os melodramáticos ataques vocais em tons altos presentes no Metalcore.

Inversion durou pouco, mas acabou virando cult. Pra quem deseja saber mais sobre a banda, segue AQUI um dos poucos links sobre a banda, que é justamente uma entrevista com os integrantes sobre sua música e letras, sempre densamente permeadas por questões filosóficas e teológicas. Bom pra ouvir e bom pra pensar: mais um ponto em que o Inversion fez diferente da maioria no Death Metal.

Pra quem quiser baixar/ouvir o álbum completo e as canções indicadas que não encontrei no youtube clique aqui. E recomendo que aproveitem enquanto uma pipa não cai sobre as sopas de todos nós...

Just keep rocking! \m/

Fontes: 
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