Volta e meia é possível encontrar álbuns/CDs completos pra ouvir pelo YouTube. A playlist abaixo é a Lista Perpétua de Indicações aqui do blog para substituir a aba "Rádio" devido à morte do Grooveshark. Como o Youtube vem recentemente cismando em apagar ou restringir conteúdo por países, é possível que nossa lista esteja sempre sendo modificada, mas é legal ter pra um momento em que se quer explorar e ouvir algo novo sem depender do aleatório do Spotify... Enjoy:
Eu particularmente ouvi muito os 3 primeiros álbuns do Paramore (e ainda ouço). A voz da Hayley Williams (e o cabelo! *-*) tem um "je ne sais quoi" e as letras são realmente interessantes (se você souber inglês ou se der ao trabalho de procurar a tradução).
A MTV tem uma tradição de fazer shows acústicos, volta e meia, e esse show do Paramore pra mim foi um achado. Então, aproveitem a playlist!
Como na pastagem anterior falamos de canções cagadas sendo salvas (ou não) pelo metal, resolvi divulgar uma coleção de álbuns que me chamou a atenção desde seu lançamento. Trata-se da coleção "Punk Goes".
É verdade que, em alguns casos, as próprias bandas já haviam lançado covers bizarros em suas discografias por humor ou como estratégia de vendas; já em outros, eram convidadas a participar do projeto com regravações que reconstruíssem a canção numa espécie de "e se isso tivesse sido um hit hardcore/punk, como a música seria?"
O conceito chama atenção porque nem todas as canções originais eram ruins. Algumas coisas interessantes como Depeche Mode, REM e The Cure tiveram suas canções reconstruídas. O repertório também inclui grande variedade: a coleção inclui covers punks de clássicos do metal, rap, pop, classic rock, one hit wonders anos 80, anos 90 e até versões acústicas de canções que você com certeza já ouviu... Mas não DESSE jeito.
2014 mal começou e me deu a excelente ideia de postar alguns dos shows mais legais que estão no youtube, nacionais e internacionais, para divulgar coisas que realmente vale à pena ouvir. Mas, com a preguiça das férias e a porcaria do carnaval, estou pelo menos 2 meses atrasado. Pra compensar só mesmo com um show duplo.
Com vocês: Metallica e a Orquestra de São Francisco! Show duplo e completo. Aproveitem!
Pra quem se lembra da postagem do disco Venus Doom, do HIM, que canta a história da "Divina Comédia - O Inferno de Dante", aqui vai mais uma dica de um álbum + ou - antigo, porém espetacular em qualidade. Trata-se do William's Shakespeare Hamlet, uma coletânea de Bandas Nacionais que cantam em inglês (Me diz Jesus, por quê?! Por quê?! afff...) cantando a história do clássico de William Sheakespeare. Clique na capa para ouvir:
Para quem quiser saber detalhes da produção do álbum, há uma excelente matéria no ProjetoX Podcast, a quem eu devo os sinceros parabéns pela tradução das canções disponível no YouTube, onde dá pra ouvir o álbum inteiro com as letras traduzidas (apesar de alguns errinhos grosseiros, dá pra pegar a ideia).
Tracklist: 01 - Delpht: From Hades To Earth 02 - Santarem: Sweet Flavour of Justification 03 - The Happiness of The Queen (Voice Vignette) 04 - Hammer of The Gods: Visions of The Beyond 05 - Villainy (Flute Vignette) 06 - Krusader: The King's Return 07 - Nervochaos: The Truth Appears 08 - The Play (Guitar Vignette) 09 - Vers' Over: A Letter To Ophelia 10 - Sagga: Dagger of Words 11 - Imago Mortis: Pravers In The Wind 12 - Symbols: Stormy Nights 13 - Hands of Fury (Keyboard Vignette) 14 - Hangar: Hidden By Shadows 15 - Fates Prophecy: Trap 16 - Eterna: Good By My Dear Ophelia 17 - Tuatha de Danann: The Last Words 18 - To Be... (todos participam dessa faixa que é, na minha opinião, a melhor do álbum)
Basicamente esse
estilo que combina sons funestos, histórias de horror ou ficção, visual de
halloween e batida punk foi criado no final da década de 70 pelo The Misfits
tendo se ramificado e influenciado bandas como AFI, HIM, Grave Robber, Lordi, My
Chemical Romance, Atreyu, Avenged Sevenfold, Demon Hunter e muitos
outros.
A dica de horror
punk de hoje vai para um pouco mais longe dos clássicos em direção ao underground com o Deep Eynde!
No álbum de 2004
"Shadowland" temos um horror punk no melhor sentieo, com destaque
para "Suicide Drive", "Space Invaders" e "Mr.
Guilty" (essa última dá a impressão de ter saído da trilha sooora!da Família Adams).
Recentemente, fiz uma postagem inaugural no blog sobre "batalha de bandas" com o
Misfits e o Grave Robber.
O caso é que eu
descobri, há poucos dias, um álbum do Misfits que eu não conhecia chamado
"Project 1950". Algum de vocês consegue imaginar do que se trata?
Quem apostou em
Misfits tocando versões de clássicos do rock-a-billy anos 50 em horror punk
acertou em cheio!
Deixo a playlist
abaixo para vosso deleite, é simplesmente sensacional!
Destaque para
todas as faixas, com menção honrosa a um dos maiores clássicos do rock-a-billy
de todos os tempos: "Great Balls of Fire" do ainda vivo (mas não por
muito tempo! Wuar Wuar Wuar! *risada maligna*) Jerry Lewis.
Detalhe: Quem
está no vocal é o único membro da formação original do Misfits, o baixista da banda, Jerry Only.
Já pensou se tivesse um site que reunisse várias bandas apenas de Metal NACIONAL, com as bandas organizadas por estilo e estado? Agora imagine que todas as bandas listadas cantassem em português.
Como não sei se isso existe e DETESTO INSTAGRAM, vocês vão ter que se virar com a playlist aí embaixo mesmo:
A maioria das bandas de metal nacional que eu conheço cismam em cantar em inglês para "atingir mercado no exterior" e isso faz algum sentido... mas, se é pra atingir o estrangeiro ,cantar em português não seria um diferencial na sonoridade que atrairia ainda mais os ouvidos pouco acostumados com os fonemas do nosso idioma? Quer dizer, isso funciona com música internacional aqui! Quantas bandas estrangeiras você conhece que resolveram cantar em português pra atingir o mercado brasileiro?
Agora que o Sertanejo e o Funk dominaram nosso país, você já sabe a quem culpar...
"O termo Mashup veio da música, mais especificamente da eletrônica e significa misturar. Na música eles são visíveis em mixagens feitas por DJs que a partir de uma música e sua melodia, obtém-se outra a partir de suas batidas." Fonte: Techmundo
Separei alguns exemplos que valem muito à pena pra ver e ouvir.
Quem gostar, curte aí!
Fuçando um pouco na internet encontrei verdadeira "PÉROLAS" que, como já diria professor Girafales, são usadas para fazer colares de PÉROLAS! Brincadeiras à parte, quando você pega elementos de duas músicas, o vocal de uma e mescla com o instrumental de outra, ou mesmo quando se fundem duas músicas (por completo ou num trecho) o resultado pode ser um desastre... ou um novo hit da internet!
Todo mundo tem
uma noção do que seja algo "punk": roupas rasgadas, cabelo moicano,
piercings, tatuagens e um som cru característico em que músicas de 3 acordes
são executadas rapidamente, com muito barulho de bateria. Pelo menos era assim.
O punk teve uma
de suas cenas mais importantes na Inglaterra da década de 1970, mas ao chegar
nós EUA na década de 80 passou a ser mais rápido e agressivo, passando a ser
denominado hardcore, um som característico um tanto mais percursivo e complexo.
Bandas de hardcore como, por exemplo, Living Sacrifice tem muito a ver até com
a cena metal. Então surge algo chamado crossover: uma fusão entre o heavy metal
e o hardcore.
O nome
"punk" não poderia ser mais apropriado, geralmente apresentando uma
proposta social anarquista (mal interpretada, diga-se de passagem. Quem quiser
saber o que realmente é anarquista tem que ler Errico Malatesta), a palavra
"punk" significa "encrenqueiro". E os
"encrenqueiros" do Gallows não poderiam ter surgido de um país mais
apropriado: trata-se de uma banda britânica, assim como os pioneiros do punk:
Sex Pistols, apesar que o Pistols tinha um caráter mais bem humorado nas
letras.
Nas idas de 2000
o hardcore e o punk se tornaram um tanto manjados, algo comercial até, por meio
de bandas internacionais como Blink 182, Green Day e nacionais como CPM 22,
Detonautas e outros. Acho que foi por isso que tive uma surpresa extrema ao
descobrir Gallows!
O som tem uma
alma punk característica no vocal rasgado e gritado de Frank Carter, como num
protesto de rua, mas com muita influência de metal sendo praticamente uma
versão alternativa ou simplificada do heavy metal sem perder o cuidado com a
atmosfera do som nem com os solos de guitarra. As mudanças de tempo nas
canções, o cuidado com a distorção mostram que a proposta da banda é totalmente
nova: soa mais limpo do que o hardcore comum e que o crossover, mas sem perder
nada em peso, o que por si torna o estilo de Gallows algo como um new punk com
super força e laser saindo dos olhos!
Só tem um pequeno
probleminha: quem entende um pouquinho de inglês vai ter a impressão que Frank
Carter tem "síndrome de tourete" já que a palavra "fuck" e
derivados costuma aparecer MUITO e até fora de contexto nas letras (excetuando,
obviamente, a história de John Casanova, cantada em "Orchestra Of
Wolves", por razões óbvias pra quem conhece a história desse sujeito).
Enfim, ossos do ofício no punk talvez... O triste é que, apesar do som ser
vibrante, as letras quase sempre falam dos horrores da guerra, pobreza,
sofrimento e descaso com o humano. Mesmo sendo uma banda punk, as canções
destoam das letras. O som do Gallows é o tipo de coisa que você ouve num dia
feliz ou pra recuperar o ânimo, os temas geralmente não batem com a melodia,
como se um dissesse o oposto do outro, exceto talvez em "Staring At The
Rude Bois", um cover do The Rutz' que o Gallows interpreta com
participação especial do rapper Lethal Bizzle.
A discografia
essencial da banda é pequena, já que entraram em atividade no ano de 2005 ainda
tendo rendido 3 álbuns e 2 EPs, com direito a alguns singles onde consta até um
cover do Ironmaiden que saiu melhor que a encomenda e que, particulamente,
gosto mais que o original: Wrathchild. Desses, o último álbum e o último EP já
não contavam com Frank Carter nos vocais, que saiu da banda por diferenças de
opinião sobre qual direção o som deveria trilhar.
E por falar em
som, quando comparamos, por exemplo, o primeiro álbum, "Orchestra Of
Wolves", de 2006, com o segundo "Grey Britain" de 2009, a direção
do som do Gallows muda ao passar a incorporar elementos eruditos (WTF?!) no som
com muita prudência. De fato, mesmo no "Orchestra Of Wolves" já havia
uma música punk com piano e vocais limpos ao fim: "Rolling with the
Punches", dando a direção para o próximo trabalho da banda. Grey Britain
uniu punk e erudito numa harmonia perfeita, apesar do antagonismo, tornando
Gallows algo totalmente novo uma segunda vez. Destaques para "Queensberry
Rules", "Crucifucks", "The Vulture (Acts I & II)"
e "Misery".
Gosto bastante da
interpretação intensa de Frank Carter e preferia que tivesse permanecido na
banda. Não me senti à vontade para acompanhar a banda desde então. Mas pra quem
tiver curioso, fica a dica.
Alguém aqui
conhecê alguma banda de Metal do Alaska? ...Eu sim! XD
36 Crazyfists tem
uma sonoridade muito próxima das boas bandas de Nu Metal/Rock Alternativo.
Uma pegada que fica entre o Chevelle e o Mudvayne.
Meu primeiro
contato com a banda foi o álbum de 2004 chamado "A Snow Capped
Romance" que já começa chamando atenção pela capa: um coração congelado
(alguém aqui lembra de "ursinhos carinhosos"? Kkk), tudo a ver com o
som deles.
Quem poderia
imaginar que desse pra aprender a tocar num frio desgraçado daqueles?!
Para quem não sabe, o vocalista do 36 Crazyfists participa do álbum "Summer of Darkness" da banda de Metalcore Demon Hunter na faixa "Beauty Through the Eyes of A Predator".
Alex Band é o
ex-vocalista da banda americana The Calling. Os caras estouraram no fim dos
anos 2000 com uma canção de nome "Wherever You Will Go" e são o que
gosto de chamar despojadamente de "alguns hit wonder". A marca
registrada em seu trabalho era justamente a voz firme de barítono de Alex (um
diferencial já que a maioria dos cantores no mainstream são tenores) e o fato de
usarem poucos acordes em melodias simples e populares.
A banda durou
apenas 2 álbuns de estúdio: "Camino Palmero" de 2001 e
"Two", lançado em 2004 e apesar de ser uma banda de pop rock,
compuseram algumas pérolas esquecidas pelo mainstream como "Somebody Out
There" - uma canção sobre o sofrimento humano e como lidamos com ele,
sendo que a canção começa com o que parece ser a descrição de um abuso, uma
letra densa e melodia sombria, além de canções como "Unstoppable" e "The Truth" (me corrija quem interpretou diferente, mas me parece ser
sobre forças invisíveis tentando controlar as vidas humanas, uma visão bem
próxima do conceito de "Grande Conflito" usado por autores cristãos
como Ellen G. White) e "Lost", bem diferentes da levada comum da
banda, apesar de ainda se notar os traços de simplicidade comuns ao The
Calling.
O caso é que, com o fim da banda, seu ex-vocal Alex Band entra em carreira solo que conta com 2 EPs e um disco solo chamado "We've All Been There" lançado em 2010.
O que torna os novos trabalhos de Alex Band interessantes é sem dúvida o amadurecimento de suas letras. Assim como no caso do brasileiro Jay Vaquer, o que falta em experimentalismo musical sobra em qualidade letrística:
"Please" se aborda o aspecto religioso da vida humana e qual seria seu significado;
"Fame" é uma canção que fala do quanto o estrelismo corrompe o caráter;
"What Is Love" é uma interrogação sincera sobre que droga está acontecendo com as pessoas que têm se tornado cada vez mais frias e insensíveis, sem amor uns pelos outros;
"Cruel One" é a resposta para essa pergunta vinda de um cara que passou por 2 divórcios, mesmo tendo ficado ao lado da 2.ª mulher enquanto ela passava pelo câncer (o amor é descrito como a força mais cruel de todas... não está tão longe da verdade).
Melodicamente
falando, duas canções de seu último EP merecem destaque, talvez não unicamente,
mas principalmente, pelo desempenho vocal de Alex: "It Doesn't Get Better
Than This" e "Take Me Back". Nem só de "Wherever You Will Go" viveu The Calling... Ah, todas as músicas citadas estão na playlist acima. Confira abaixo um trechinho de "Take Me Back". Enjoy!
Não dá pra falar
de Ashton Nyte sem mencionar sua carreira no The Awakening, banda gótica e
cristã da África do Sul com um vocal grave pra danar (sim, você acabou de ler
isso).
Apesar do extremo
peso e sombriedade gótica nas canções, os trabalhos solo do cantor são
diferentes do The Awakening.
Por exemplo: The Slender
Nudes, de 2000, flerta com o eletrônico, mas fortemente influenciado por David
Bowie.
*Dirt Sense, de 2002 é mais minimalista e difícil de se enquadrar em qualquer
estilo existente, lembrando a sonoridade de "Cover" e "The
Other Garden" do The Awakening, mas com canções que dariam a direção do
álbum seguinte com uma marcação típica do trip-hop na faixa "Automation"
e em "New Messiah Of The Week" (uma das letras mais incríveis que já
ouvi dentro do tema do próprio título).
*Sinister Swing, de 2003 é alguma coisa entre o jazz e o trip-hop mas com forte influência gótica. As
canções soam bastante "escuras".
*Headspace (2005)
- Mudando totalmente de rumo, o álbum é puro rock and roll/noise rock. Outra
vez, uma das canções dava a direção que seria seguida no álbum seguinte: "Like
Jimmy Dean", um claro caso de flerte do cantor com western music.
*The Valley (2009
South Africa, 2010 USA) - Último álbum lançado, tem uma sobriedade típica de um
álbum que seria a trilha sonora perfeita de um filme de faroeste protagonizado
pelo vilão. Mas é apenas pela densidade do som da voz de Ashton (de qualquer modo continuo
achando o falsete dele horrível, por exemplo, na canção que dá nome ao álbum).
"Medicine", uma das canções do álbum tem uma letra cristã da melhor
qualidade.
Fica abaixo uma playlist com as minhas canções preferidas do Ashton Nyte em carreira solo e algumas apresentações ao vivo do the Awakening de bônus:
Lembram que eu
mencionei certa feita que nem toda banda que atualmente está ruim
necessariamente era ruim no começo, mas pode ter feito coisas interessantes no
passado? Pois bem, agora
imagine que uma dessas bandas resolva retornar às origens? Boa notícia não?
Esse é o caso do
Panic At The Disco. A banda estreou em 2005 com o incrível álbum "A Fever
You Can't Sweat Out" mesclando uma dezena de elementos inexplicáveis pra
uma banda que começou a carreira fazendo cover do finado Blink 182 (pra lá de
previsível musicalmente). Panic incorporava instrumentos de música erudita
barroca, indie, elementos circenses, música eletrônica (dance, pra ser mais
exato) e dark cabaret. Sendo que a primeira parte do álbum era totalmente
dance/eletrônica enquanto que a segunda parte era totalmente vintage. Pra lá de
original!
Outro aspecto pra
lá de original eram as letras como Camisado que conta a luta do pai de Brendon
Urie contra o alcoolismo, "Lying Is the Most Fun a Girl Can Have Without
Taking Her Clothes Off" e "But It's Better If You Do": duas
canções retiradas diretamente do roteiro do filme "Closer: Perto
Demais" (recomendo o filme), "I Constantly Thank God For Esteban",
canção que trata diretamente de como o culto religioso em muitas tem se tornado
uma espécie de "show" onde a mensagem da fé em si tem pouca
importância, além de "I Write Sins Not Tragedies" com um emblemático
clipe que faz qualquer homem pensar duas vezes antes de casar com uma mina com
histórico de infidelidade. Os clipes feitos pela banda para promover as canções do primeiro disco eram outro capítulo à parte, extremamente teatralizados.
O caso é que,
depois de arrebanhar fãs mundo a fora, num acesso de criatividade (ou de falta
dela, nunca saberemos) a banda mudou totalmente a fórmula e lançou o
dolorosamente pop "Pretty Odd" em 2008, o que acerretou a perda do "!" no nome da banda, que passou de "Panic! At The Disco" para "Panic At The Disco". O novo trabalho foi uma decepção pra quem
esperava algo na mesma linha do 1.ª álbum. A banda havia se tornado mais uma
entre tantas bandas de pop suave sem nenhum diferencial criativo além de uma ou
outra letras bonitinhas. Se você ouviu esse álbum e teve a impressão que era de
música infantil, foi exatamente essa a impressão que tive ao ouvir
"Pretty Odd".
Porém, ainda
havia esperança de redenção, contando agora apenas com 2 de seus membros
fundadores, o Panic se arrependeu de seus pecados e lançou "Vices & Virtues"
em 2011. Fui ouvir mais por curiosidade que por esperança de que tivessem feito
algo bom e que surpresa ao notar que, embora não fosse como o 1.ª álbum, havia
algo de retorno às raízes! O som novamente empregada elementos alternativos
mesclados do Indie, do lado eletrônico do Dark Wave e alguma sonoridade barroca
dentro do contexto do pop contemporâneo como se tivessem harmonizado os dois
primeiros trabalhos numa síntese bem coerente nesse 3.º álbum. Fiquei
satisfeito ao ouvir e pensei: por que não criar uma linha do tempo no Billy To
Indie que permitisse aos curiosos, decepcionados ou entusiastas do Panic
comparar os 3 trabalhos? E assim, aqui estamos nós! Confiram:
Black Lab. Taí uma banda estranha. Pra início de conversa, nem era uma banda, mas uma dupla que virou um trio, que virou um quarteto. Chequem o site oficial e a Wikipédia.
Meu primeiro
contato com a banda foi através da sombria canção "This Night" num
episódio da série Dr. House. Acabei arrumando o álbum "Passion Leaves a Trace" de 2007.
Sinceramente,
como fã de She Wants Revenge e Interpol, achei que Black Lab fosse uma banda de
Dark Wave. Todavia, essa canção destoa da maior parte dos trabalhos da banda
nesse álbum. Mesmo com essa
pequenina decepção (eu realmente gosto muito de Dark Wave), consegui descobrir
coisas interessantes como "Gone" (a letra faz você pensar sobre o que
diabos realmente tem na mente de homens cafajestes), Pictures of People (uma
crítica à cultura de massa, TV e estereótipos), além de Sun and Moon (com uma
levada e alguns jogos de falsete entre oitavas que é bem gostosa de ouvir), tem até uma "pesadinha" chamada Broken Heart.
Uma boa
experiência pra quem gosta de Soft Rock. Ah, o resto do álbum é a cara dos
trabalhos do Keane, então quem curte Keane com certeza vai gostar.
Acontece que
bandas nem sempre começam uma bosta. Eu poderia
articular em defesa do 3 Cheers For Sweet Revenge, mas esse álbum vendeu muito
bem e teve boas críticas, mesmo sendo rotulado como "emo".
Vamos primeiro a
algumas informações sociológicas: bandas não formam tribos urbanas, fãs formam
ao tentar incorporar ideologias que acham convenientes a um tipo de roupa e
atitude que copiam de uma banda que gostam. Por isso você vê bandas como o
finado UnderOath que não queria ser taxado como "banda de crente", o
Sisters of Mercy que nunca se identificou como gótico e, finalmente o My Chemical
Romance, que sempre negou ser essa coisa que chamam de "emo".
O álbum que eu
escolhi para comentar é justamente o primeiro da carreira dos caras. Há algo especial no
primeiro álbum de uma banda: o esforço para criar uma identidade, o
experimentalismo, a força do som, o amadorismo, e a saudade que vem ao olhar pro
passado e perceber o que os caras queriam/podiam ter sido, o que nem sempre as
gravadoras permitem, ou mesmo brigas entre os integrantes buscando tocar algo
dentro de um "consenso da banda" (é camaradas, isso existe, a culpa nem sempre é
das gravadoras, só quem já tentou tocar em banda sabe... durma com essa hoje).
O primeiro álbum
do My Chemical Romance é tudo, menos emo. Há sim uma influência da
"pegada" Hardcore, mas também tem muito (sim) METAL no cd, distorção,
velocidade e noise!
Não há diferença
estilística real entre o primeiro álbum do My Chemical Romance e os 2 primeiros
álbuns da banda de Metalcore/Death Melódico Still Remains. De fato, cheguei a
confundir "Honey, This Mirror isn't Big Enough" com Still Remains
numa playlist antes da voz do Gerard Way sair! "Our Lady Of Sorrows"
é porradaria pura, "Drowning Lessons" é contagiante, apesar do resto
do cd ser mais leve ainda há muito flerte com riffs típicos de Metal mesmo...
Nessa mesma época a banda lançou um cover hilário de Mariah Carey da música
"All I Want For Christmas Is You", e a atitude nessa interpretação
lembra a irreverência do Sex Pistols pois a canção é interpretada como se a
banda estivesse tendo um ataque cardíaco coletivo ao tentar tocar a canção e
correr a "Maratona de São Silvestre" ao mesmo tempo (sério, é uma das
coisas mais hilárias que ouvi desde Graforréia Xilarmônica!) além de um cover em
conjunto com o The Used interpretando "Under Pressure" (que no
original era David Bowie e Queen). O álbum é tão espontâneo e amador (no bom
sentido da palavra) que parece um show ao vivo de banda de garagem. Rockeiro
desde pequeno que sou, chamar algo assim de ruim seria pecado. Se fosse pra
nomear o estilo eu nomearia como "Punk Metal"... qualitativamente essa formação do
My Chemical tocava melhor que os caras do Protest The Hero (que eu também
conheci o trabalho desde antes do Kezia quando a banda apenas sonhava aprender
a tocar hardcore).
Concordo que
depois de "The Black Parede" o My Chemical Romance ficou cada vez
mais pop e o som se tornou comum demais sabe lá Deus porque motivos, o que é uma pena, mas não
dá pra dizer que eles não começaram direito, porque isso seria artisticamente
desonesto e mentiroso.
"I Brought You My Bullets, You Brought Me Your
Love" é um dos meus cds pra salvar do incêndio.
Essa é uma pergunta bem comum e, se a pessoa com quem vc estiver falando tiver um mínimo de educação, serve até de quebra-gelo. Mas o que fazer se vc não tem uma banda favorita?
É o meu caso. Cheguei num ponto da vida em que não dá mais pra responder essa pergunta. Por quê? Porque eu conheço bandas demais! Ultimamente divido as bandas em: bandas que eu ouço muito, bandas que ouço pouco, bandas que já ouvi melhores, bandas que no geral não gosto (afinal, elas podem ser boas ou não) e bandas que eu não conheço.
Mas Chevelle, essa marcou época (não o carro da Chevrolet, a banda). Já foi a minha favorita e mesmo eu ouvindo menos, ainda ouço bastante. Motivo? Bem, eles sabem fazer belas canções melancólicas sem ser piegas ou falar de amor, conseguem fazer canções pesadas sem ser trolls, conseguem ser sombrios sem ter nada de góticos, pop sem ter nada de californianos, e de quebra tem letras interessantes como "Emotional Drought" que é uma crítica ao sistema escolar, "Panic Prone" que é sobre a parábola do filho pródigo, "Family System" que tem um significado especial se você souber um pouco de psicologia, "Skeptic" fala sobre ceticismo, e mesmo eu acreditando piamente que os melhores trabalhos do Chevelle são os primeiros álbuns (Point #1, Wonder What's Next e This Type of Thinking) não consigo desgostar dos novos álbuns porque não perdeu a qualidade lírica ou musical, apesar de estarem faz tempo numa direção que não era a que um fã que acompanha a banda desde o começo esperaria.
É por isso que,
mesmo achando que eles poderiam estar mais interessantes, ainda ouço e
recomendo Chevelle.
Banda de Death Metal é tudo igual... Distorção crua, baixo, bateria, muita pancada e um vocal urrado definido como gutural que sai sempre igual fazendo a mesma droga de nota independente se você é a gracinha da Angela Gossow (vocal do Arch Enemy) ou o próprio cão dos infernos fazendo gargarejo, certo? Bom... Há controvérsias.
Pra começar, depois de um tempo ouvindo
Death Metal a gente começa a perceber alguma melodia no meio daquele
pandemônio. Quando se ouve bandas de Death diferentes a gente nota que existem
variações vocais tão características quanto os próprios timbre cantados.
Como a diferença é sutil e você tem que ser
muito troll ou ter ouvido absoluto (ou os dois) pra perceber a gente acaba
ouvindo críticas ao estilo como as que citei.
O engraçado é que há sim bandas de death
tradicionais (já que o chamado "Death Melódico" é um outro estilo)
que soam diferente do geral e qualquer um pode perceber. Um dos (poucos)
exemplos que foge à regra é o Inversion.
É provável que você nunca tenha ouvido
falar deles, afinal, os caras resolveram tocar nos tempos de faculdade como
hobby e não com aspirações a fama. A curta carreira rendeu 2 cds: o EP de estréia chamado "Tarsus Burning" de 1999 e um épico álbum de nome "The Nature of Depravity", lançado em 2001.
Os guturais são "macios"
comparado às bandas de Death Metal comuns, a guitarra é impecável e 5 canções
da banda chamam a atenção para seu experimentalismo dentro do Death Meta, você pode ouvir TODAS na playlist acima pelo YouTube:
1. Thieves - uma canção sobre o
arrependimento de Dimas (um dos ladrões crucificados com Cristo) que é
praticamente um death acústico cantado em dueto pelo vocalista (guturais) e
pelo guitarrista do Inversion embalados por um acompanhamento de violão
perfeito;
2. Defilement - Death Metal veloz ao melhor
estilo "porrada" com muito destaque de baixo e bateria;
3. Independency - Um dueto com participação
do vocalista da banda australiana de Doom Metal "Paramaecium"
(resenha em breve) com direito a alguns floreios de piano ao fundo;
4. Stillborn Piety - Um Death com ares de
música medievalista soturno com piano de fundo e uma finalização bastante
estranha e original aos ouvidos;
5. Upheld - Mais experimentalismo! A canção
se inicia com um solo de violão com uma bela introdução cantada, torna-se um
Death Metal lento (sim, isso existe), denso e escuro para seguir com um
intercurso mórbido, retomar o peso original e termina com a mesma melodia de
início, dando um tom de melancolia ao final.
Não é que outras bandas de Death Metal não
usem algum experimentalismo HOJE, mas no final dos anos 90 e início dos anos
2000, uma banda desse gênero se aventurar com flertes com piano, música
medievalista, doom e acústicos, usando trechos cantados e um gutural que não
soa "rasgado" era uma experiência única e muito do que hoje é chamado
"Death Melódico" soa próximo demais do Metalcore, que caiu no gosto
de muitos headbangers e, de certa forma, saturou o metal, deixando a sonoridade
limitada a variações dentro do próprio estilo.
Em tempos de estilos iguais, Inversion era
e continua sendo diferente, ora soando como um terremoto veloz, ora como um
doom/death, e intercursos vocais cantados que, apesar de sombrios, não lembram
nem os vocais graves do doom e do black metal nórdico nem os melodramáticos
ataques vocais em tons altos presentes no Metalcore.
Inversion durou pouco, mas acabou virando
cult. Pra quem deseja saber mais sobre a banda, segue AQUIum dos poucos links sobre a banda, que é justamente uma entrevista com os integrantes sobre sua música e letras, sempre densamente permeadas por questões filosóficas e teológicas. Bom pra ouvir e bom
pra pensar: mais um ponto em que o Inversion fez diferente da maioria no Death
Metal.
Pra quem quiser baixar/ouvir o álbum completo e as canções indicadas que não encontrei no youtube clique aqui. E recomendo que aproveitem enquanto uma pipa não cai sobre as sopas de todos nós...