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segunda-feira, 17 de março de 2014

Punk Goes!

Como na pastagem anterior falamos de canções cagadas sendo salvas (ou não) pelo metal, resolvi divulgar uma coleção de álbuns que me chamou a atenção desde seu lançamento. Trata-se da coleção "Punk Goes".


É verdade que, em alguns casos, as próprias bandas já haviam lançado covers bizarros em suas discografias por humor ou como estratégia de vendas; já em outros, eram convidadas a participar do projeto com regravações que reconstruíssem a canção numa espécie de "e se isso tivesse sido um hit hardcore/punk, como a música seria?"

O conceito chama atenção porque nem todas as canções originais eram ruins. Algumas coisas interessantes como Depeche Mode, REM e The Cure tiveram suas canções reconstruídas. O repertório também inclui grande variedade: a coleção inclui covers punks de clássicos do metal, rap, pop, classic rock, one hit wonders anos 80, anos 90 e até versões acústicas de canções que você com certeza já ouviu... Mas não DESSE jeito.

Vale (muuuuito) à pena conferir.

Just keep rocking motherfucker!

Fonte: Wikipédia

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Misfits x Grave Robber

Em clima de horror rock desde a saga do Inferno de Dante, chegou a hora de um duelo de bandas no billytoindie!

De um lado com uma discografia de 8 álbuns de estúdio, com 3 formações em épocas distintas e vocalistas diferentes, os caras que inventaram a base do que seria o rock de horror e seus derivados (death rock, horror punk, horror hardcore): The Misfits.

No outro canto, com 3 álbuns de estúdio gravados, uma contraparte que pleiteia o trono no Misfits: Grave Robber.

Duas bandas com características similares: base de punk rock, letras contando contos de terror com espiritualismo e ficção científica e um baita visual de halloween. De fato, tanto em matéria de voz quanto a pegada, são muito similares. Dá pra confundir as bandas se você não conhecer o repertório, mas com duas diferenças fundamentais:

a) Misfits, por ser horror punk mais clássico, no geral tem uma batida mais lenta e chega a ser menos pesado, em comparação, que o Grave Robber, embora (confesso) seja um pouco difícil perceber.

b) Grave Robber é uma banda de horror punk cristã (Sim, isso existe e é bem original! São metáforas de horror dentro dos conceitos teológicos cristãos. Não que o Misfits também não o fizesse, afinal o conceito de diabo, por exemplo, é um conceito cristão. Porém, o Grave Robber aborda essa temática a partir da ótica cristã. Outras bandas, como Demon Hunter, também seguem o conceito, como na letra de "Storm The Gates of Hell").

Dois trabalhos das bandas são épicos nessa batalha:
a) O clássico "American Psycho" do Misfits, lançado em 1997 com Michael Graves nos vocais, representando a melhor fase da banda (que, por intrigas infantis dos membros, acabou não contando com a participação de Graves justamente quando fizeram a primeira turnê que passou pelo Brasil). As letras eram basicamente contos de terror com direito a homenagens a filmografia de Vicent Price (Abominable Dr. Phibes) alusões a literatura a exemplo de George Orwells: Guerra dos Mundos (em Mars Attacks) ou ao Frankestein de Mary Shelley até nos apelidos dos integrantes da banda (o guitarrista era conhecido como Doyle Wolfgang von Frankenstein), além de canções sobre ataques zumbis (Day of The Dead) e muito mais! Halloween total com selo de aprovação de Jack Pumpkin Head.

b) Um álbum igualmente notório competindo de igual pra igual com "American Psycho" é o "Be Afraid" do Grave Robber. Falando de exorcismo (The Exorcist), caça às bruxas (Burn Witch, Burn!), psicopatia (Skeletons), contra o aborto (aliás, numa das melhores canções do álbum: "Screams of The Voiceless"), esquizofrenia (Schizofiend), zumbis (I, Zombie), com direito a jargões médicos como o que dá título à canção "Rigor Mortis" (termo em latim comum em necrópsia já que se trata do enrijecimento do corpo cadavérico poucas horas após a morte, usado em perícia criminal como referência para dar a hora estimada da morte em estilo CSI). 

Como o cristianismo é um religião bastante gótica (diga-se de passagem: tem coisa mais gótica que um Deus que morre torturado no lugar da criação pra evitar sua destruição e volta dos mortos com juras de vingança contra as forças do mal? Aliás, tem muito disso na canção Golgotha), há conceitos bizarros como "morrer para o pecado" e "nascer de novo" representado em ritos como o batismo representando mudança de vida, comportamento, visão de mundo, etc, que implicam em deixar Deus matar o mau dentro de você a cada dia... Tudo isso muito em evidência e falado de forma bem humorada, por exemplo, na canção I Wanna Kill You Over and Over Again", além de uma abordagem pra lá de halloween do juízo final em "Bloodbath" ("banho de sangue" como dupla alusão: morte de Cristo e sua vingança final).


É uma batalha de pesos pesados... Cá entre nós, eu apostaria em EMPATE POR DUPLO NOCAUTE!

Discografia de Misfits:

 *Static Age (1978)
 *12 Hits From Hell (1980)
 *Walk Among Us (1982)
 *Earth A.D./Wolfs Blood (1983)
 *American Psycho (1997)
 *Famous Monsters (1999)
 *Project 1950 (2003)
 *The Devil's Rain (2011)

Discografia de Grave Robber:

*Exhumed (2011)
*Inner Sanctum (2009) 
*Be Afraid (2008)


Fontes:


Just keep horrorocking! \m/ 


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Gallows




Todo mundo tem uma noção do que seja algo "punk": roupas rasgadas, cabelo moicano, piercings, tatuagens e um som cru característico em que músicas de 3 acordes são executadas rapidamente, com muito barulho de bateria. Pelo menos era assim.

O punk teve uma de suas cenas mais importantes na Inglaterra da década de 1970, mas ao chegar nós EUA na década de 80 passou a ser mais rápido e agressivo, passando a ser denominado hardcore, um som característico um tanto mais percursivo e complexo. Bandas de hardcore como, por exemplo, Living Sacrifice tem muito a ver até com a cena metal. Então surge algo chamado crossover: uma fusão entre o heavy metal e o hardcore.
 
O nome "punk" não poderia ser mais apropriado, geralmente apresentando uma proposta social anarquista (mal interpretada, diga-se de passagem. Quem quiser saber o que realmente é anarquista tem que ler Errico Malatesta), a palavra "punk" significa "encrenqueiro". E os "encrenqueiros" do Gallows não poderiam ter surgido de um país mais apropriado: trata-se de uma banda britânica, assim como os pioneiros do punk: Sex Pistols, apesar que o Pistols tinha um caráter mais bem humorado nas letras.

Nas idas de 2000 o hardcore e o punk se tornaram um tanto manjados, algo comercial até, por meio de bandas internacionais como Blink 182, Green Day e nacionais como CPM 22, Detonautas e outros. Acho que foi por isso que tive uma surpresa extrema ao descobrir Gallows!

O som tem uma alma punk característica no vocal rasgado e gritado de Frank Carter, como num protesto de rua, mas com muita influência de metal sendo praticamente uma versão alternativa ou simplificada do heavy metal sem perder o cuidado com a atmosfera do som nem com os solos de guitarra. As mudanças de tempo nas canções, o cuidado com a distorção mostram que a proposta da banda é totalmente nova: soa mais limpo do que o hardcore comum e que o crossover, mas sem perder nada em peso, o que por si torna o estilo de Gallows algo como um new punk com super força e laser saindo dos olhos!

Só tem um pequeno probleminha: quem entende um pouquinho de inglês vai ter a impressão que Frank Carter tem "síndrome de tourete" já que a palavra "fuck" e derivados costuma aparecer MUITO e até fora de contexto nas letras (excetuando, obviamente, a história de John Casanova, cantada em "Orchestra Of Wolves", por razões óbvias pra quem conhece a história desse sujeito). Enfim, ossos do ofício no punk talvez... O triste é que, apesar do som ser vibrante, as letras quase sempre falam dos horrores da guerra, pobreza, sofrimento e descaso com o humano. Mesmo sendo uma banda punk, as canções destoam das letras. O som do Gallows é o tipo de coisa que você ouve num dia feliz ou pra recuperar o ânimo, os temas geralmente não batem com a melodia, como se um dissesse o oposto do outro, exceto talvez em "Staring At The Rude Bois", um cover do The Rutz' que o Gallows interpreta com participação especial do rapper Lethal Bizzle.

A discografia essencial da banda é pequena, já que entraram em atividade no ano de 2005 ainda tendo rendido 3 álbuns e 2 EPs, com direito a alguns singles onde consta até um cover do Ironmaiden que saiu melhor que a encomenda e que, particulamente, gosto mais que o original: Wrathchild. Desses, o último álbum e o último EP já não contavam com Frank Carter nos vocais, que saiu da banda por diferenças de opinião sobre qual direção o som deveria trilhar.

E por falar em som, quando comparamos, por exemplo, o primeiro álbum, "Orchestra Of Wolves", de 2006, com o segundo "Grey Britain" de 2009, a direção do som do Gallows muda ao passar a incorporar elementos eruditos (WTF?!) no som com muita prudência. De fato, mesmo no "Orchestra Of Wolves" já havia uma música punk com piano e vocais limpos ao fim: "Rolling with the Punches", dando a direção para o próximo trabalho da banda. Grey Britain uniu punk e erudito numa harmonia perfeita, apesar do antagonismo, tornando Gallows algo totalmente novo uma segunda vez. Destaques para "Queensberry Rules", "Crucifucks", "The Vulture (Acts I & II)" e "Misery". 

Gosto bastante da interpretação intensa de Frank Carter e preferia que tivesse permanecido na banda. Não me senti à vontade para acompanhar a banda desde então. Mas pra quem tiver curioso, fica a dica.


Discografia (com Frank Carter):

Álbuns de Estúdio:
2006 - Orchestra Of Wolves
2009 - Grey Britain

EPs:
2007 - November Coming Fire

Fonte: Wikipédia


Just keep rocking \m/

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