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terça-feira, 17 de junho de 2014

Demon Hunter

Demon Hunter é uma banda que acompanho desde o primeiro álbum de 2002 e devo dizer que muita coisa mudou nesses mais de 10 anos pra cá...


A começar pelo vocal de Ryan Clark: claro que seu "drive" continua sendo um som bastante "ameaçador", mas o vocal cantado dos coros ou pontes das canções, um tanto "grave" para os padrões do metalcore (onde temos um número de vocais tenores quase tão grande quanto o metal melódico) tem baixado cada vez mais de tom. No álbum "Storm The Gates of Hell", de 2007, as canções "Fading Away" e "Lead Us Home" me fizeram pensar que Ryan clarck fosse tenor. Acabei mudando de opinião e classificando o cantor como barítono a partir das performances ao vivo e do material novo da banda, como no clipe abaixo da canção "I Will Fail You".


Outro ponto interessante é o grande número de baladas numa banda de heavy metal: "My Throat is An Open Grave", "My Heartstrings Come Undone", "The Tide Began To Rise", "Carry Me Down", "Driving Nails", "Dead Flowers" e a atual "I Will Fail You". Quem checasse a discografia apenas pela minha indicação poderia pensar que sai uma por álbum, mas não é bem assim, porque há canções com apenas trechos de vocais agressivos, aumentando o número de canções "não pesadas" por álbum. Todavia, minha favorita, entre as baladas, acabou sendo "Tomorrow Never Comes", canção que eu só percebi que estava no álbum "True Defiance" muito tempo depois de eu ter deixado a banda de escanteio. Costumo passar por alguns casos de "encanto póstumo" com algumas bandas.

Em algumas entrevistas, Clark já deixou claro que ouve de tudo e não é bitolado no metal (um grande diferencial). Sem falar nas letras que tratam da vida humana e da fé numa perspectiva ora teológica, ora existencialista. Não é o tipo de banda sem cérebro que você pode se dar ao luxo de não saber o que está dizendo.

A performance ao vivo da banda não deixa pra menos, mas tem um energia totalmente diferente dos acústicos: nos shows, o vocal de Clark pende pro grave, nos acústicos ele não agrava a voz ao ponto que se ouve nas pontes de "I Will Fail You" ou "I am a Stone", por exemplo. De qualquer forma, uma grande banda, um vocal que foge aos padrões do gênero, se é que se pode dizer, a essa altura do campeonato, que ainda se trata de uma banda de Metalcore ou Death Melódico. 


Pra mim, Demon Hunter se tornou algo mais...

Discografia e História da Banda: Wikipédia

Just keep rocking! \m/

domingo, 22 de setembro de 2013

A.F.I. (A Fire Inside)



AFI ou "A Fire Inside" é uma banda de horror punk/alternativo de Ukiah-Califórnia formada em 1991 que chama atenção pela força poética das letras. É uma das bandas que me dou ao luxo de levar quase toda discografia no celular.

A discografia como um todo tem fases distintas e há quem nomeie o estilo da banda com um termo próprio: Gothic Punk (ou punk gótico pra nós tupiniquins).
Podemos classificar o trabalho do AFI em 3 fases: a fase horror punk, a fase punk gótico e a fase rock alternativo, todas com características sonoras bem interessantes (apesar do vocal tenor de Davey Havok ter uma sonoridade irregular ao vivo, não chega a ser um ponto negativo).

  1. Na fase horror punk temos os álbuns, "Answer That And Stay Fashionable" de 1995, "Very Proud of Ya" de 1996, "Shut Your Mouth and Open Your Eyes" de 1997, "A Firestone Inside EP" de 1998 e "All Hollows EP" de 1999 sendo este último o meu favorito, principalmente por causa de "The Boy Who Destroyed The World" que tem riffs sensacionais e com uma proximidade muito grande ao som do Misfits. De fato, essa primeira fase é de punk de horror.
  2. Na fase punk gótico temos 4 álbuns notórios: "Black Sails In Sunset" de 1999, "The Art ode Drowning" de 2000, o emblemático, forte e sombrio álbum "Sing The Sorrow" de 2003, o auto intitulado "AFI" de 2004 com alguns singles épicos da banda em uma harmonia pesada intermediária entre o punk e o gótico. Tudo dessa fase é bem impressionante.
  3. Na fase rock alternativo temos os álbuns "Decemberunderground" de 2006 (apesar de Decemberunderground ainda trazer traços da fase punk gótica, por exemplo, na faixa "Miss Murder" (carro-chefe desse álbum e uma das melhores melodias já compostas pela banda), há experimentalismos no rock alternativo como em "37Mm" e até música eletrônica como no caso de "Love Like Winter") e o álbum "Crash Love" de 2009, talvez o álbum menos pesado e mais pop da banda, mas ainda assim com canções muito interessantes como "Medicate". Ainda não ouvi o álbum "Burials" lançado esse ano, mas a qualidade do AFI nunca mudou nas letras, embora tenham alterado o estilo das canções ao longo do tempo.
 

A banda tem um sucesso relativo e, inclusive, tem várias canções em edições diversas do Guitar Hero, "Medicate" e "Miss Murder", mas há um diferencial muito grande em AFI em relação a outras bandas: a poesia das letras. Não dá pra ficar só em palavras, é preciso ouvir. E pra quem não sabe inglês, aqui vai uma com tradução:



Discografia  e História da Banda: Wikipédia

Just keep rocking! \m/


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Flyleaf


Flyleaf é uma banda de metal alternativo de Belton no Texas (EUA) que me cativou desde que fomos "apresentados". A potência dos drives (vocal gritado) da vocalista Lacey Mosley (na época, atualmente adotou o nome de casada: Lacey Sturm) chamava (e ainda chama) muita atenção. 

Mais do que apenas uma banda, Flyleaf é o reflexo da mudança de vida de Lacey, que me motivou a colocar aqui sua história... porque me comove. Não dá pra explicar, mas você reconhece nos olhos uma pessoa que deu uma guinada de 180 graus na vida. No caso de Lacey, isso salvou sua vida, como vocês podem ver no vídeo abaixo onde ela mesma conta um pouco de sua história:


As composições do Flyleaf tinham participação pesada de Lacey: letras como "Justice and Mercy" é perfeita e de uma teologia impecável como se vê em poucas bandas cristãs, a crueza poética de letras como "Cassie" (sobre o massacre de Columbine), músicas como "Treasure" ou "Circles" envolvem pela forte emotividade, além de canções sobre sua própria história pessoal como "Much Like Falling" (sobre o dia em que planejava se suicidar e que terminou por lhe dar uma nova vida) ou "Dear My Closest Friend" sobre a morte de seu primo de 3 anos espancado pelo padrasto.



Nenhuma composição artística por mais elaborada que seja tira o poder e o mérito da verdade de quem viveu o que canta. O mais bonito de tudo isso é que, apesar de ter saído da banda pra cuidar do pequeno Jack e ter uma vida pacata junto com seu marido (sério, achei isso lindo!) é como Lacey conseguiu transmitir sua despedida da banda no lindo clipe de "New Horizons", o último álbum de que participou. Vou deixar na expectativa. Procurem no YouTube.

Claro que Lacey não era a banda, os caras tocam muito e são bem criativos (a primeira vez que vi alguém tocar guitarra com um arco de violino foi numa apresentação do Flyleaf que vi no youtube), e Kristen May, a nova vocalista, é bastante competente, mas Lacey era a alma da banda. Continuo acompanhando o Flyleaf... mas timidamente. Engraçado como a história de pessoas que você nunca conheceu podem ter um peso muito grande em sua vida. Confesso que devo alguns bons momentos a Lacey e ao Flyleaf e a história de como a banda nasceu. Histórias assim fazem você ter mais fé. E pra alguns isso é tudo que resta.

Álbuns de estúdio
2005: Flyleaf
2009: Memento Mori
2012: New Horizons

EPs
2002: Broken Wings: Special Edition
2003: Passerby
2003: Broken Wings
2004: Flyleaf
2006: Music as a Weapon
2007: Much Like Falling
2010: Remember to Live
2013: Who We Are

Just keep believing! \m/ 

sábado, 11 de maio de 2013

Tourniquet



Esta é uma das principais bandas de Thrash Metal cristão da história. Tourniquet está na ativa desde 1990. Formada na cidade de Los Angeles (EUA),  tem influências  muito incomuns para uma banda de Thrash Metal: música clássica! De certa forma, Tourniquet apresenta um estilo progressivo de fazer metal, não fosse o fato que o thrash é um gênero de metal extremo.

Musicalmente falando, se você assistir o documentário Headbanger's Journey é feito um paralelo entre a ESTRUTURA do metal e da música clássica. O fato é que, distorções à parte, o heavy metal de qualidade e a música clássica são muito similares e virtuosistas.

Nas palavras da wikipédia:

"A banda faz uma mistura de thrash metal, speed metal, metal progressivo, heavy metal, hard rock, hardcore, influênciados por compositores clássicos, como por exemplo, Beethoven e Bach, espiritualidade com perspectiva bíblica, recheadas por inspirações de jargões médicos, de Edgar Allan Poe e narrativas do velho testamento."

A banda passou por várias formações das quais o único membro permanente, principal compositor e, me permitam dizer, "alma da banda", é o BATERISTA sr. Ted Kirkpatrick. Em termos vocais, houve duas eras: a era speed/thrash com Guy Ritter (que se tornou vocalista do Echo Hollow, banda cristã de hard rock hoje inativa) e a era Luke Easter, que começou muito semelhante ao Anthrax na época que John Bush era o vocalista, mas se tornou algo além. O atual guitarrista, Aaron Guerra, é outro capítulo à parte: extremamente competente! 


Entre tantos álbuns INCRÍVEIS (é uma das minhas bandas favoritas) escolhi destacar dois dentre os que considero os melhores álbuns da história do metal:

*Pathogenic Ocular Dissonance, de1992. Trata-se de álbum thrash com influências bizarras de doom  e death metal, combinações  sombrias de vocais graves muito graves e agudos muito agudos. É incrível como havia versatilidade nos vocais de Guy nessa fase.  Destaque para as faixas "Spectrophobic Dementia", "Exoskeletons",  "Theodicy On Trial, "En Hakkore" e a épica "The Skeezix Dilemma".

*Microscopic View of a Telescopic Realm, de 2000. Esse é outro álbum histórico com muita influência clássica, uso de órgão, flautas, pancadaria hardcore, solos de bateria, assobios e até influências de canto gregoriano, uma miscelânia que teve um resultado maravilhoso com excelentes canções como "Besprinkled In Scarlet Horror" (clique e confira a letra),"Drinking From The Poisoned Well",  "The Tomb Of Gilgamesh", "Erratic Palpitations Of The Human Spirit" e a continuação da história iniciada em Skeezix Dilemma em "The Skeezix Dilemma, Part II: The Improbable Testimony Of Pipsewah", igualmente épico!

É nesse ponto que eu faço uma reflexão: chega a ser clichê o quanto algumas das bandas de rock e heavy metal mais conhecidas tem letras e clipes de mau gosto e insistem nisso! O desgosto com esse fato me motivou ainda mais a mostrar o diferencial não só do que o Tourniquet tocava e toca, mas do que eles ESCREVEM. Aqui abaixo reservei o espaço para o clipe legendado em português da canção "Ark of Suffering", um épico do álbum Stop The Bleeding:


Sobre as bandas de metal que acham que glorificar a violência,  sexo ou rituais esquisitos, deixo as palavras de Bill Watterson na pessoa de seus personagens mais marcantes Calvin e Haroldo:



Se você também cansou dessa merda, Tourniquet é pra você!

Discografia e História da Banda: Wikipédia

Just keep rocking! \m/




domingo, 14 de abril de 2013

Huaska

 

Salve pessoal!
Após a descoberta do site Metal Em Português (In Memorian), pensei em trazer algumas bandas brasileiras que CANTAM EM PORTUGUÊS.

Uma particularmente interessante que eu descobri é uma banda de São Paulo chamada Huaska. A proposta da banda é muito interessante: mesclar o metal com música brasileira. O interessante é que a parcela da música brasileira escolhida foi justamente o samba e a bossa nova!

Eu sei que até o Sepultura já usou elementos de música brasileira e já gravou bossa nova, mas NÃO É ESSE O CASO AQUI! A proposta do Huaska é uma FUSÃO entre samba, bossa nova e metal! Isso é um passo além do que qualquer banda brasileira já fez!

Vamos por partes: A mistura é uma característica que aparece timidamente em Mimosa Hostilis, o 1.º trabalho da banda (que mais parece um álbum do Deftones em português) na faixa "Voyeur" - um excelente cd aliás. Os dois trabalhos seguintes da banda são intermediários em que a banda experimentava formas de unir metal + letras em português + mpb (pra sermos sinceros nem sempre deu certo nesses álbuns). Mesmo eu não considerando o "É Chá de Erva Doce" um álbum com vocais bem trabalhados a canção "Minha Alma Fede" é soturna e boa de ouvir, "Sua Beleza Me Faz Mal" tem uma letra até interessante, apesar de não ser a melhor interpretação do vocalista Rafael Moromizato; já "Bossa Nenhuma" é musicalmente  muito mais bem trabalhado em instrumental e nos vocais, e é justamente nesse álbum que a mistura entre samba, metal e bossa nova se torna constante e consistente, mas peca em algumas letras como e.li.sa (puro tapa buraco do álbum), todavia, foi justamente uma canção desse álbum que me fez gostar e procurar mais trabalhos da banda: O Machete - canção emblemática baseada no conto homônimo de Machado de Assis, uma canção tensa com o uso de um machete contra um violoncelo embalada com distorções de guitarra num clipe que lembra muito uma das minhas bandas favoritas: Deftones. O som ficou incrível e o vocal está perfeito. Pra quem não conhece o conto de Machado de Assis a letra parece confusa, mas ao lê-lo você descobre exatamente do que a letra está falando e, confesso que me surpreendi. Recomendo MUITO!



No novo álbum "Samba de Preto" as coisas chegam a um nível de profissionalismo invejável, as letras amadureceram tanto nesse álbum quanto o som havia evoluído do 2.º para o 3.º álbum da banda harmonizando palavra e melodia. O novo álbum conta com a participação pra lá de especial de Eumir Deodato (que já produziu nomes como Bjork e Tom Jobim) e Elza Soares! Confira entrevista:




Obs.: A introdução de "O Mar" chega a lembrar o estilo de uma outra banda excelente: Apocalyptica; a banda fez uma regravação de Tom Jobim em versão rock na faixa "Chega de Saudade"; "Foi-se" e "Samba de Preto" são canções de luto com peso e letras intensas. São esses apenas alguns destaques. Vou deixar vocês se surpreenderem com o resto sozinhos. Aqui vai um pouco do trabalho do Huaska pra vocês apreciarem, e acreditem: SAMBA DE PRETO é muito bom!


Just keep rocking! \m/

quarta-feira, 6 de março de 2013

Capital Inicial


 Eu sei o que vocês devem estar pensando: "depois de todas aquelas bandas estranhas por que diabos o cara resolve falar de Capital Inicial"? Tem dois motivos principais:

1 - É Nacional
2 - Tem coisa boa por aí

Na ativa desde 1986, o som do Capital passou por algumas transformações nos primeiros anos e desde então adquiriu uma forma de pop rock bem estável.

Boa parte das letras do Capital Inicial tiveram um ou mais dedos de Renato Russo, finado vocalista do Legião Urbana. Nas palavras do próprio Dinho Ouro Preto no CD/DVD Ao Vivo da Banda para o Multishow, em 2008:

"Há muito tempo atrás numa terra distante, havia uma banda chamada 'Aborto Elétrico'" (...)

O "Aborto Elétrico" tinha integrantes que mais tarde se dispersariam em duas bandas: Legião Urbana e o próprio Capital Inicial. Parte das composições passaria a cada um dos lados nesse "divórcio musical", além de algumas canções terem interpretações comuns às duas bandas (como a clássica "Que País é Esse?").

O caso é que é muito comum ouvir, especialmente dos fãs do Legião, que (apesar da história comum), o Capital Inicial é inferior ao que o Legião foi, se não musicalmente, letristicamente. Esse é o ponto em que é preciso citar pelo menos 2 trabalhos do Capital Inicial, sem os dedos de Renato Russo, que realmente valem à pena pelas LETRAS: O álbum "Gig Ante" de 2004 e o atual "Das Kapital" de 2010.

As composições são da própria banda e letristicamente empregam um recurso muito similar ao que o Engenheiros do Hawaii usavam nas suas canções: boas doses de filosofia, jogos de palavras e referências a ditados populares e afins. De certa forma, algo nesse sentido já havia aparecido no trabalho de 2002, "Rosas e Vinho Tinto", mas acabou ofuscado pelo sucesso de "A Sua Maneira" (um cover da música "De Música Ligera" da banda argentina Soda Estereo).

Em "Gig Ante" temos destaque para "Instinto Selvagem" num grande manifesto de "vamos chutar o pau da barraca", "Respirar Você" com a melhor dica de todos os tempos pra esquecer uma dor de cotovelo: "vou fingir que nunca te vi, vou viver sem ter onde ir, até cansar de respirar você" (sério mesmo,funciona!), a sensacional "Não Olhe Pra Trás" com sua jogada lógica e pitadas de filosofia faz você pensar com frases como "se o que era errado ficou certo as coisas são como elas são" e "inteligência ficou cega de tanta informação" só perde (na minha opinião) pra "Insônia" (algo que eu já tive bastante) já que essa canção específica não se parece em nada que o Capital te há feito até hoje com um experimentalismo inusitado tanto na diferença instrumental quanto vocal (mal dá pra reconhecer que seja o Capital Inicial nessa música).

Em "Das Kapital", os jogos de lógica  à semelhança de "Não Olhe Pra Trás" continuam em "Vivendo e Aprendendo" e "Como se Sente?" com frases que lembram muito as composições do Engenheiros como "os dias são sempre iguais, o mesmo filme em todos os canais" e "sempre presente o medo de falar na frente dos outros o que ninguém quer escutar", além das tradicionais histórias de romance que toda banda brazuca não abre mão como em "Depois da meia-noite" (passamos muito tempo sentados na calçada falando e  não dizendo nada) e dilemas existenciais com uma pitada de romance em "Melhor".



Depois dessa matéria e de acompanhar um pouco mais do som e das letras do Capital Inicial eu não posso afirmar nem que o som nem que as letras pioraram, de fato, o que me parece é que a visibilidade da banda diminuiu. É comum que as  pessoas que tanto  falam do "auge" e da decadência do rock nacional sejam as mesmas pessoas que não acompanham os trabalhos das boas bandas ainda na ativa preferindo viver de passado. Apesar da era da internet o público ainda é levado pelos ventos da mídia. As boas bandas nacionais continuam boas, a mídia é que não liga muito pra elas.

Fontes:

Just keep rocking! \m/

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Gallows




Todo mundo tem uma noção do que seja algo "punk": roupas rasgadas, cabelo moicano, piercings, tatuagens e um som cru característico em que músicas de 3 acordes são executadas rapidamente, com muito barulho de bateria. Pelo menos era assim.

O punk teve uma de suas cenas mais importantes na Inglaterra da década de 1970, mas ao chegar nós EUA na década de 80 passou a ser mais rápido e agressivo, passando a ser denominado hardcore, um som característico um tanto mais percursivo e complexo. Bandas de hardcore como, por exemplo, Living Sacrifice tem muito a ver até com a cena metal. Então surge algo chamado crossover: uma fusão entre o heavy metal e o hardcore.
 
O nome "punk" não poderia ser mais apropriado, geralmente apresentando uma proposta social anarquista (mal interpretada, diga-se de passagem. Quem quiser saber o que realmente é anarquista tem que ler Errico Malatesta), a palavra "punk" significa "encrenqueiro". E os "encrenqueiros" do Gallows não poderiam ter surgido de um país mais apropriado: trata-se de uma banda britânica, assim como os pioneiros do punk: Sex Pistols, apesar que o Pistols tinha um caráter mais bem humorado nas letras.

Nas idas de 2000 o hardcore e o punk se tornaram um tanto manjados, algo comercial até, por meio de bandas internacionais como Blink 182, Green Day e nacionais como CPM 22, Detonautas e outros. Acho que foi por isso que tive uma surpresa extrema ao descobrir Gallows!

O som tem uma alma punk característica no vocal rasgado e gritado de Frank Carter, como num protesto de rua, mas com muita influência de metal sendo praticamente uma versão alternativa ou simplificada do heavy metal sem perder o cuidado com a atmosfera do som nem com os solos de guitarra. As mudanças de tempo nas canções, o cuidado com a distorção mostram que a proposta da banda é totalmente nova: soa mais limpo do que o hardcore comum e que o crossover, mas sem perder nada em peso, o que por si torna o estilo de Gallows algo como um new punk com super força e laser saindo dos olhos!

Só tem um pequeno probleminha: quem entende um pouquinho de inglês vai ter a impressão que Frank Carter tem "síndrome de tourete" já que a palavra "fuck" e derivados costuma aparecer MUITO e até fora de contexto nas letras (excetuando, obviamente, a história de John Casanova, cantada em "Orchestra Of Wolves", por razões óbvias pra quem conhece a história desse sujeito). Enfim, ossos do ofício no punk talvez... O triste é que, apesar do som ser vibrante, as letras quase sempre falam dos horrores da guerra, pobreza, sofrimento e descaso com o humano. Mesmo sendo uma banda punk, as canções destoam das letras. O som do Gallows é o tipo de coisa que você ouve num dia feliz ou pra recuperar o ânimo, os temas geralmente não batem com a melodia, como se um dissesse o oposto do outro, exceto talvez em "Staring At The Rude Bois", um cover do The Rutz' que o Gallows interpreta com participação especial do rapper Lethal Bizzle.

A discografia essencial da banda é pequena, já que entraram em atividade no ano de 2005 ainda tendo rendido 3 álbuns e 2 EPs, com direito a alguns singles onde consta até um cover do Ironmaiden que saiu melhor que a encomenda e que, particulamente, gosto mais que o original: Wrathchild. Desses, o último álbum e o último EP já não contavam com Frank Carter nos vocais, que saiu da banda por diferenças de opinião sobre qual direção o som deveria trilhar.

E por falar em som, quando comparamos, por exemplo, o primeiro álbum, "Orchestra Of Wolves", de 2006, com o segundo "Grey Britain" de 2009, a direção do som do Gallows muda ao passar a incorporar elementos eruditos (WTF?!) no som com muita prudência. De fato, mesmo no "Orchestra Of Wolves" já havia uma música punk com piano e vocais limpos ao fim: "Rolling with the Punches", dando a direção para o próximo trabalho da banda. Grey Britain uniu punk e erudito numa harmonia perfeita, apesar do antagonismo, tornando Gallows algo totalmente novo uma segunda vez. Destaques para "Queensberry Rules", "Crucifucks", "The Vulture (Acts I & II)" e "Misery". 

Gosto bastante da interpretação intensa de Frank Carter e preferia que tivesse permanecido na banda. Não me senti à vontade para acompanhar a banda desde então. Mas pra quem tiver curioso, fica a dica.


Discografia (com Frank Carter):

Álbuns de Estúdio:
2006 - Orchestra Of Wolves
2009 - Grey Britain

EPs:
2007 - November Coming Fire

Fonte: Wikipédia


Just keep rocking \m/

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Alex Band (The Calling)

Alex Band na fase do The Calling

Alex Band é o ex-vocalista da banda americana The Calling. Os caras estouraram no fim dos anos 2000 com uma canção de nome "Wherever You Will Go" e são o que gosto de chamar despojadamente de "alguns hit wonder". A marca registrada em seu trabalho era justamente a voz firme de barítono de Alex (um diferencial já que a maioria dos cantores no mainstream são tenores) e o fato de usarem poucos acordes em melodias simples e populares.

A banda durou apenas 2 álbuns de estúdio: "Camino Palmero" de 2001 e "Two", lançado em 2004 e apesar de ser uma banda de pop rock, compuseram algumas pérolas esquecidas pelo mainstream como "Somebody Out There" - uma canção sobre o sofrimento humano e como lidamos com ele, sendo que a canção começa com o que parece ser a descrição de um abuso, uma letra densa e melodia sombria, além de canções como "Unstoppable" e "The Truth" (me corrija quem interpretou diferente, mas me parece ser sobre forças invisíveis tentando controlar as vidas humanas, uma visão bem próxima do conceito de "Grande Conflito" usado por autores cristãos como Ellen G. White) e "Lost", bem diferentes da levada comum da banda, apesar de ainda se notar os traços de simplicidade comuns ao The Calling.




O caso é que, com o fim da banda, seu ex-vocal Alex Band entra em carreira solo que conta com 2 EPs e um disco solo chamado "We've All Been There" lançado em 2010.
O que torna os novos trabalhos de Alex Band interessantes é sem dúvida o amadurecimento de suas letras. Assim como no caso do brasileiro Jay Vaquer, o que falta em experimentalismo musical sobra em qualidade letrística:

  • "Please" se aborda o aspecto religioso da vida humana e qual seria seu significado; 
  • "Fame" é uma canção que fala do quanto o estrelismo corrompe o caráter; 
  • "What Is Love" é uma interrogação sincera sobre que droga está acontecendo com as pessoas que têm se tornado cada vez mais frias e insensíveis, sem amor uns pelos outros; 
  • "Cruel One" é a resposta para essa pergunta vinda de um cara que passou por 2 divórcios, mesmo tendo ficado ao lado da 2.ª mulher enquanto ela passava pelo câncer (o amor é descrito como a força mais cruel de todas... não está tão longe da verdade).

Melodicamente falando, duas canções de seu último EP merecem destaque, talvez não unicamente, mas principalmente, pelo desempenho vocal de Alex: "It Doesn't Get Better Than This" e "Take Me Back". Nem só de "Wherever You Will Go" viveu The Calling...
Ah, todas as músicas citadas estão na playlist acima. Confira abaixo um trechinho de "Take Me Back". Enjoy!




Fonte: Wikipédia

Just keep rocking! \m/

Ashton Nyte


Não dá pra falar de Ashton Nyte sem mencionar sua carreira no The Awakening, banda gótica e cristã da África do Sul com um vocal grave pra danar (sim, você acabou de ler isso). 

Apesar do extremo peso e sombriedade gótica nas canções, os trabalhos solo do cantor são diferentes do The Awakening.

Por exemplo: The Slender Nudes, de 2000, flerta com o eletrônico, mas fortemente influenciado por David Bowie.

*Dirt Sense, de 2002 é mais minimalista e difícil de se enquadrar em qualquer estilo existente, lembrando a sonoridade de "Cover" e "The Other Garden" do The Awakening, mas com canções que dariam a direção do álbum seguinte com uma marcação típica do trip-hop na faixa "Automation" e em "New Messiah Of The Week" (uma das letras mais incríveis que já ouvi dentro do tema do próprio título).

*Sinister Swing, de 2003 é alguma coisa entre o jazz e o trip-hop mas com forte influência gótica. As canções soam bastante "escuras".

*Headspace (2005) - Mudando totalmente de rumo, o álbum é puro rock and roll/noise rock. Outra vez, uma das canções dava a direção que seria seguida no álbum seguinte: "Like Jimmy Dean", um claro caso de flerte do cantor com western music. 

*The Valley (2009 South Africa, 2010 USA) - Último álbum lançado, tem uma sobriedade típica de um álbum que seria a trilha sonora perfeita de um filme de faroeste protagonizado pelo vilão. Mas é apenas pela densidade do som da voz de Ashton (de qualquer modo continuo achando o falsete dele horrível, por exemplo, na canção que dá nome ao álbum). "Medicine", uma das canções do álbum tem uma letra cristã da melhor qualidade. 

Fica abaixo uma playlist com as minhas canções preferidas do Ashton Nyte em carreira solo e algumas apresentações ao vivo do the Awakening de bônus:


Extremamente criativo, com excelentes letras. Se eu fosse você esperaria mais lançamentos estranhos desse senhor saído de Johannesburg. 


Just keep rocking! \m/

The Awakening



Imagine a dificuldade de formar uma banda na África do Sul. Agora imagine a dificuldade de achar uma banda gótica nesse cenário. Imagine agora a dificuldade em encontrar uma banda gótica cristã na África do Sul. Parece improvável não é? Mas existe!

The Awakening é uma BANDA GÓTICA CRISTÃ DA ÁFRICA DO SUL! Mais precisamente, de Johannesburg, e tem uma versatilidade pouco encontrada dentro do estilo. Não se trata de uma banda gótica nos moldes normais sinfônicos. Obs.: Não confundir com a banda de jazz nem com a de pop gospel de mesmo nome.

The Awakening tem uma trajetória que pode-se considerar "evolucionista": começaram pelo Dark Wave, passaram pelo Atmospheric, Avant-garde, Gothic Rock, Metal Industrial, Gothic Metal e agora estão numa linha puramente Dark.

Meu irmão chegou a definir Ashton Nyte como "o cara da voz cagada" na canção "Innocent", mas não percebeu que era o mesmo vocalista em "Razorburn". Nem todas as variações são belas, mas Ashton Nyte é um cantor de muitas vozes. Seus melhores vocais estão nos álbuns "Ethereal Menace", "The Fourth Seal Of Zeen", e do álbum "Roadside Heretics" em diante só tem melhorado. Além de que, uma das canções da banda tem uma das árias mais graves que já ouvi (a versão de "Amethyst" do álbum "The Fourth Seal Of Zeen"). Ponto pra eles pela originalidade e pelo cover de Simon & Garfunkel em "The Sounds Of Silence":



Sua discografia conta com 13 álbuns (até agora) lançados entre 1997-2009 soando como poucas bandas. A única que consegui como parâmetro de comparação foi o Sisters Of Mercy e mesmo assim a comparação só funciona nos álbuns de Dark Wave do Awakening.

O vocal de Ashton Nyte é outro capítulo à parte: ele é variável em cada álbum. Tecnicamente é um barítono que alterna entre vocais líricos, vocal fry, vocal operístico e falsete (o falsete mais horrível que já ouvi, mas não chega a ser desafinado, só esquisito).

Obs.: É a banda mais SOMBRIA que já ouvi até hoje. Faça o teste você mesmo ouvindo:

"We Fell"
"Precious"
"Prophet"
"Before I Leap (Sub Coma Mix)"
"Sacrificial (Lacerated Version)
"Marked", "Nostalgia"
"Cover"
"Heaven Waits" 

Algumas dessas canções nem estão em plataformas de streaming, mas vocês podem ouvir nossas recomendações clicando no canal do Telegram.

E se existir algo com o mesmo calibre vocal, deixem um comentário!

Para saber +: Wikipédia - Site Oficial - Last FM

Just keep rocking! \m/

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Panic At The Disco


Lembram que eu mencionei certa feita que nem toda banda que atualmente está ruim necessariamente era ruim no começo, mas pode ter feito coisas interessantes no passado? Pois bem, agora imagine que uma dessas bandas resolva retornar às origens? Boa notícia não?

Esse é o caso do Panic At The Disco. A banda estreou em 2005 com o incrível álbum "A Fever You Can't Sweat Out" mesclando uma dezena de elementos inexplicáveis pra uma banda que começou a carreira fazendo cover do finado Blink 182 (pra lá de previsível musicalmente). Panic incorporava instrumentos de música erudita barroca, indie, elementos circenses, música eletrônica (dance, pra ser mais exato) e dark cabaret. Sendo que a primeira parte do álbum era totalmente dance/eletrônica enquanto que a segunda parte era totalmente vintage. Pra lá de original!

Outro aspecto pra lá de original eram as letras como Camisado que conta a luta do pai de Brendon Urie contra o alcoolismo, "Lying Is the Most Fun a Girl Can Have Without Taking Her Clothes Off" e "But It's Better If You Do": duas canções retiradas diretamente do roteiro do filme "Closer: Perto Demais" (recomendo o filme), "I Constantly Thank God For Esteban", canção que trata diretamente de como o culto religioso em muitas tem se tornado uma espécie de "show" onde a mensagem da fé em si tem pouca importância, além de "I Write Sins Not Tragedies" com um emblemático clipe que faz qualquer homem pensar duas vezes antes de casar com uma mina com histórico de infidelidade. Os clipes feitos pela banda para promover as canções do primeiro disco eram outro capítulo à parte, extremamente teatralizados.

O caso é que, depois de arrebanhar fãs mundo a fora, num acesso de criatividade (ou de falta dela, nunca saberemos) a banda mudou totalmente a fórmula e lançou o dolorosamente pop "Pretty Odd" em 2008, o que acerretou a perda do "!" no nome da banda, que passou de "Panic! At The Disco" para "Panic At The Disco". O novo trabalho foi uma decepção pra quem esperava algo na mesma linha do 1.ª álbum. A banda havia se tornado mais uma entre tantas bandas de pop suave sem nenhum diferencial criativo além de uma ou outra letras bonitinhas. Se você ouviu esse álbum e teve a impressão que era de música infantil, foi exatamente essa a impressão que tive ao ouvir "Pretty Odd".

Porém, ainda havia esperança de redenção, contando agora apenas com 2 de seus membros fundadores, o Panic se arrependeu de seus pecados e lançou "Vices & Virtues" em 2011. Fui ouvir mais por curiosidade que por esperança de que tivessem feito algo bom e que surpresa ao notar que, embora não fosse como o 1.ª álbum, havia algo de retorno às raízes! O som novamente empregada elementos alternativos mesclados do Indie, do lado eletrônico do Dark Wave e alguma sonoridade barroca dentro do contexto do pop contemporâneo como se tivessem harmonizado os dois primeiros trabalhos numa síntese bem coerente nesse 3.º álbum. Fiquei satisfeito ao ouvir e pensei: por que não criar uma linha do tempo no Billy To Indie que permitisse aos curiosos, decepcionados ou entusiastas do Panic comparar os 3 trabalhos? E assim, aqui estamos nós! Confiram:


Fonte: Wikipédia

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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Silverchair



Silverchair "do mal"

Silverchair começou no final dos anos 90 com o bom e velho grunge e, com o passar do tempo, adquiriu letras encorpadas, psicológicas e densas, com harmonias audaciosas e muitas vezes fortemente impactantes ou depressivas.

É do conhecimento geral de quem acompanhou a banda no auge (porque algumas de suas canções tocaram muito, como "Miss You Love" e "Ana's Song" que virou um hino contra a anorexia) que as letras soturnas acompanharam um período em que o vocalista Daniel Johns lutava contra uma anorexia nervosa e uma depressão que quase o levaram à morte... Superada essa parte complicada, a música da banda mudou (Johns era o principal compositor, além de guitarrista, pianista e vocalista da banda). Era de se esperar, afinal o artista é a obra e vice-versa. Mas o som perdeu aquela veracidade, aquela intensidade e, a meu ver, a genialidade dos anos escuros.

O mais engraçado (ou não) de tudo é que, após se recuperar da anorexia e da depresão a esposa de Daniel Johns, a também cantora Nathalie Imbruglia, o deixou e, quando você aguarda um retorno sombrio e cheio de ódio o Silverchair surge com o ultra-fofinho "Young Modern" e você ouve e pensa: "que p*&%a é essa?!" Onde está o Silverchair de "Freak Show" com letras como as de "Abuse Me", "Cemetery" ou a ira de "Learn To Hate" (a eterna melhor de todas pra mim), ou o Silverchair de "Neon Balroom" com épicos como "Emotional Sickness" e "Black Tangled Heart"?

Mas o caso talvez seja mais complicado do que parece... É como diz aquela letra do Marillion "We don't have to live in a world  Where we give bad names to beautiful things". As músicas do "Young Modern" são bonitas até, mas não agradaram muita gente, incluso eu. O que dá uma certa culpa ao pensar que provavelmente foram compostas na fase feliz do autor, a fase curada. Faz você pensar um pouco sobre as pessoas que somos e como muitas vezes somos mesquinhos com a arte das pessoas ou quando nossos ícones resolvem mudar por decisão ou acabam mudando de pouquinho na vida até perceber que não são mais quem eram antes. Como diria Humberto Gessinger: "Só a mudança é permanente". 

Silverchair "do bem"

Ao contrário da teoria da evolução, Silverchair tem um elo perdido... Ou achado: Diorama. Foi nesse álbum que a banda conseguiu fundir o que era antes ao que iria se tornar sem fazer feio! Melodias complexas, algumas pesadas com um que soturno como "One Way Mule", algo de quase doentio no som de "Too Much of Not Enough", uma balada fofinha em "Luv Your Life", flertes com o clássico (com piano e tudo) em "After All These Years" e "Across The Night", a depra batendo na sua porta em "My Favourite Thing" e por aí vai...

Enfim... Daniel Johns acabou fundando o The Dissociatives, outra banda na linha do "Young Modern" e está na ativa desde então, enquanto o silverchair parece ter se aposentado pra sempre. Seja feliz, Daniel!

Álbuns de estúdio:
1995 - Frogstomp
1997 - Freak Show
1999 - Neon Ballroom
2002 - Diorama
2007 - Young Modern

Álbuns ao vivo:
2003 - Live from Faraway Stables

Compilações:
2000 - The Best Of Vol.1
2000 - Rarities 1994 - 1999

EP:
1994 - Tomorrow EP

Fonte: Wikipédia

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